Ocupar a política, construir a Primavera Brasileira!

25/jun/2012, 15h59

*Camila Goulart e Gabi Tolotti

O capitalismo vive uma crise profunda. Para tentar sair desta crise as potências mundiais avançam sobre os direitos da juventude e dos trabalhadores e sobre o meio ambiente. Neste cenário ocorreu no Rio de Janeiro a Rio+20.  Uma tentativa de pintar de verde a economia, tentando dar ao capitalismo um ar de sustentável. O resultado foi um relatório recuado de 48 páginas e nenhuma ação efetiva. Ficou claro que a maioria dos chefes de estado que participaram do evento estão mais preocupados em salvar suas economias do que preservar a natureza.

Em contraponto à Rio+20 aconteceu a Cúpula dos Povos, construída por movimentos sociais, ambientalistas, partidos políticos, povos originários. A Cúpula foi o grito de resistência daqueles que sabem que capitalismo e preservação do meio ambiente são propostas antagônicas. A Cúpula foi um espaço de debates, troca de experiências, organização da defesa ambiental. Mais do que isso, foi a unificação das diversas lutas que acontecem no Brasil e no mundo hoje. Na quarta-feira (20), vimos a maior marcha das últimas décadas no nosso país. Mais de 50 mil pessoas tomaram a Avenida Rio Branco, expressando a luta em defesa do meio ambiente, a luta das mulheres, dos indígenas, da juventude, dos trabalhadores, dos grevistas da educação, dos negros, dos LGBT’s. Mostrando que todas essas pautas são ramificações de uma luta central, a luta anticapitalista.

Alguns setores que apoiam o governo Dilma participaram da Cúpula do Povos, mas não conseguiram amenizar a contradição de defenderem um governo que é gerente do capitalismo brasileiro, que aprova o novo código (anti)florestal, que constrói Belo Monte e que foi um dos responsáveis pelo fracasso da Rio+20.

O Juntos fez um grande esforço para ser parte ativa da Cúpula levando as lutas das praças e das ruas de diversos cantos do país para um espaço comum. Buscamos construir a unidade na diversidade unificando militantes do Rio Grande do Sul à Amazônia. Foram muitos dias de mobilização e organização para que delegações do Rio Grande do Sul, representado por camaradas de Pelotas, Porto Alegre e de Santa Maria, São Paulo, Brasília, São Carlos, Uberlândia, Santarém, Belém e da Rede de Educação Popular Emancipa estivessem presentes. Com representações de quase todas as nossas regionais o Juntos demonstrou seu entusiasmo, força e disposição de fazer parte desse momento histórico da luta anticapitalista mundial.

Além disso, a Cúpula ocorrer no Rio de Janeiro, para nós teve um significado especial. Nesta cidade estão em disputa dois projetos distintos de sociedade. Por um lado, os que defendem um Rio de Janeiro para as elites, onde se investe milhões na Copa do Mundo, privilegiando construtoras e grandes empresários e criminalizando a população da periferia. Por outro lado, uma alternativa ganha corpo. Marcelo Freixo encabeça um movimento de unidade entre a juventude, trabalhadores, movimentos sociais, artistas que querem construir um Rio sem caveirão, sem abuso de poder, com políticas públicas efetivas de combate à violência e com participação popular. Nessa disputa não temos o direito de nos abster. Ocupamos a política e com Marcelo Freixo vamos construir a Primavera Carioca.

Parte disso foi a atividade que promovemos. Mais de 500 pessoas se reuniram para debater ações práticas para a construção de um outro futuro. Chico Alencar, Deputado Federal-PSOL/RJ, Fernanda Melchionna, Vereadora-PSOL/RS, Federico Castagnet, MST/Argentina, e Marcelo Freixo, Deputado Estadual-PSOL/RJ e pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, provocaram o debate sobre a defesa do meio ambiente, a greve nacional da educação, os direitos humanos, a Copa e o papel da juventude nesta conjuntura. O sucesso da atividade ficou expresso na qualidade das intervenções e na pluralidade de ativistas que estão dispostos a levar a diante a luta pela construção de uma nova sociedade.

A Primavera Carioca mostra que o Rio de Janeiro é o pólo mais avançado no Brasil da luta dos 99% contra 1%. É papel do Juntos contagiar os militantes de todo o país com a tarefa de nacionalizar o exemplo que nasce no Rio. É nosso dever impulsionar  as mobilizações por transformação social, construindo a Primavera Brasileira. Afinal, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.

*Camila Goulart faz parte do GTN do Juntos! e é historiadora. Gabi Tolotti é jornalista e militante do Juntos!