Contra a intransigência do governo, atuamos juntos!

21/jul/2012, 12h40

*Camila Souza

**Enilton Rodrigues

Vivemos uma das maiores greves das Instituições Federais de Ensino Superior da história do nosso país. A greve é quase universal: 57 de 59 universidades federais estão em greve. Além das universidades, a paralisação afeta 35 dos 38 institutos federais 2 Centros de Educação Tecnológica (Cefets) e o Colégio Federal Pedro II, no Rio de Janeiro. Estamos vivenciando dias históricos da luta em defesa da educação pública. E a força do movimento grevista não se restringe ao segmento docente. Os estudantes e os servidores técnico-administrativos também dão corpo a essa luta, intensificando a força do movimento grevista nacional. O coro que unifica os três segmentos é contra um projeto de educação que vem ano a ano precarizando as universidades brasileiras. Muitos já previam que a soma de expansão de vagas, advindas do questionável projeto REUNI, mais os cortes anuais de verbas colocariam as universidades em uma situação grave. E se a situação é grave, nada mais natural de a solução ser greve.

Após 57 dias de greve docente o governo abriu negociações com os docentes, mas até hoje não demonstrou disposição de negociar com os estudantes. Mesmo com o país tomado de norte a sul por mobilizações estudantis, como o histórico Colégio Dom Pedro II no Rio de Janeiro, a permanente intransigência do governo em não negociar com os estudantes grevistas, mostra que o governo Dilma não tem a educação como uma de suas prioridades. Reunidos em Brasília os três comandos nacionais grevistas – estudantil docente e técnico-administrativo – têm mostrado que a luta por outro projeto educacional para o nosso país só é possível se estivermos juntos. O Comando Nacional de Greve Docente/ANDES já reprovou a proposta apresentada pelo governo. Essa é a hora de irmos unidos às reuniões de negociação apresentar nossas reivindicações, pois só estando lado a lado conseguiremos ganhos reais para a educação brasileira.

Em um momento de radicalização das ações é necessário fortalecer o Comando Nacional de Greve Estudantil com representações de cada universidade. Porém, a força do movimento nacional vem, sem dúvida, da construção efetiva do movimento em suas localidades. Por isso é também importante que os comandos locais de greve estudantil façam suas reuniões de negociações com as suas Reitorias, expondo as especificidades de cada pauta local e lutando por ganhos e melhorias para os estudantes. No período em que acontecem os Encontros Nacionais de cada curso é tarefa manter vivo o debate da Educação fortalecendo o movimento grevista nacional com notas e moções de apoio. Além de grandes atos que rompam com o silêncio da mídia e dêem visibilidade as pautas da Greve.

Saudamos a tod@s os grevistas! Estamos Juntos! em defesa da educação!

Juntos Presente no Ato Nacional dos Servidores Público Federal e Estudantes em Greve!

    Neste dia 18 de maio de 2012, 60 dias de greve da Instituições Federais de Ensino Superior-IFES, foi marcado com um grande ato nacional em Brasília, reunindo além  dos professores e estudantes das IFES, servidores técnicos administrativos das universidades federais, Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica-SINASEFE e outras categorias do serviço público federal.

       Este ato foi uma contundente resposta a proposta rebaixada do governo Dilma-PT/PMDB, aos professores na última reunião do governo com o comando nacional de greve dos professores, proposta esta que não atende a principal reivindicação da categoria em greve, que é a reestruturação do plano de carreira docente.

      Hoje no Brasil são mais de 300 mil servidores público federal em greve e o Governo Dilma insiste em não abrir negociação com essas categorias. Esta greve já é uma das maiores e mais forte greve dos últimos 10 anos, e é uma resposta dos trabalhadores brasileiro a política nefasta do governo Dilma para com os servidores, e mais especifico um ataque a educação pública, gratuita e de qualidade.


        Enquanto isso o governo destina 47,19% do orçamento de 2012 para pagamento da questionável dívida pública. Aprovada pelo Congresso nesta terça dia 17, a Lei de Diretrizes Orçamentárias não prevê reajustes salariais no ano de 2013, confirmando assim a política de precarização e arroxo salarial do Governo para os servidores público.

       O Juntos! esteve presente neste grande ato que reuniu mais de 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Os estudantes brasileiros estão em greve nacional em apoio a pauta dos professores e em defesa das pautas dos estudantes, contra a política do Governo Dilma para educação brasileira que continua sendo precarizada e com os   servidores da educação sendo cada dia que passa menos valorizados.

       O Juntos esteve no ato com delegações da UEPA, UFPA- Pará, UFSM,UFPEL-Rio Grande do Sul e UnB-Brasília, impulsionando junto com a oposição de esquerda da UNE a greve estudantil em defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, popular e socialmente referenciada.


     A  manifestação foi pacífica, porém, no final da marcha os estudantes e servidores em greve se concentraram no Ministério do Planejamento, em uma tentativa de ser recebidos pela ministra para tentar negociar a partir dali a pauta das diversas categorias presente no ato, a resposta do governo foi dada via Polícia Militar do DF, com arma taser, spray de pimenta e cacetetes nos manifestantes, onde vários estudantes e dirigentes sindicais ficaram feridos.

 *Camila é diretora do DCE UFU e do comando de greve local, militante do Juntos MG;

** Enilton é estudante da UNB e compõe o comando de greve local.