Sem sopão, sem direito à alimentação

12/jul/2012, 17h17

Beatriz Mei*

 

Em 2010 (sim, só em 2010) foi instituída a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) que garante alimentação como direito de todas e todos. Apesar do avanço, não foi o suficiente para acabar com o descaso com o grande número de pessoas que passam fome e morrem de fome no Brasil.

A fome é um dos mais cruéis sintomas da exclusão social. Na cidade este sintoma é mais um que se expressa principalmente nas pessoas em situação de rua, que são incluídas na vida urbana em raros aspectos, mas que encontram uma situação menos desfavorecida por poderem contar muitas vezes com a contribuição de entidades filantrópicas, como por meio da distribuição dos tradicionais sopões por exemplo, distribuídos há mais de 30 anos por pelo menos 48 instituições.

Longe de ser a solução para tamanha injustiça e desrespeito à dignidade humana, os sopões muitas vezes são a única alternativa de alimento para essa parcela da população que parece ser invisível aos olhos dos nossos governantes.

Mostra disso foram as medidas do atual prefeito de São Paulo Gilberto Kassab tomadas na última semana. Kassab declarou que iria acabar com a distribuição de alimentação nas ruas da cidade em 30 dias,por meio da proibição e punição administrativa das entidades, com justificativa de que os sopão gera sujeira.  Devido a repercussão negativa da notícia, mais tarde o prefeito desautorizou o secretário de segurança urbana sobre o fim do sopão, dizendo que não haverá proibição, mas as instituições deverão fazer a distribuição em tendas da prefeitura (que são apenas nove).

A medida reforça o caráter higienista, elitista e proibicionista das soluções encontradas pela prefeitura para as questões sociais paulistanas.

Esta não deve ser vista como um fato pontual, mas parte de um projeto para São Paulo,  ( nas mãos da direita a quase 10 anos) : Uma “Cidade Limpa” , agradável aos olhos de visitantes, e mais do que qualquer coisa, muito agradável para o bolso daqueles que exploram terra urbana.Uma cidade entregue à especulação imobiliária, com a saúde e educação do povo nas mãos de empresários, vice campeã em tempo de trânsito. Excluindo trabalhadores e a juventude, sem a garantia dos direitos mais básicos como moradia e alimentação!

Precisamos ter em  vista as eleições municipais que acontecerão em outubro deste ano. A juventude tem condições ocupar esse espaço e transformar  São Paulo em uma cidade mais do que habitável, um lugar agradável de se viver, à serviço dos menos favorecidos, caminhando para o fim da desigualdade social.

Não podemos admitir que neste lugar tão excludente, iniciativas como o sopão sejam dificultadas. A alimentação deve ser o ponto de partida para a garantia da vida digna na cidade ou em qualquer outro lugar.

Primeiro a gente come, depois a gente pensa, quem pensa pode transformar! Quem tem medo de mudança?

#Ocupar a política para mudar São Paulo!

 

Beatriz Mei é estudante de Nutrição na USP e militante do Juntos SP