A revolução educacional

29/ago/2012, 15h19

Guilherme Fregonese*

É bem claro que a educação hoje no Brasil está sucateada. Os professores são desvalorizados e mal remunerados, a infraestrutura das escolas é péssima e o método de ensino ultrapassado. Recentemente, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi divulgado ,e apesar do ensino fundamental demonstrar uma tímida melhora nos resultados, a mudança não foi satisfatória, sem comentar que este índice é questionável.

O descaso com a educação básica se reflete no acesso ao ensino superior. Ainda hoje são poucos jovens que possuem acesso à universidade, e estes são, em sua maioria, brancos, de classe média e alta e estudantes de escolas particulares. Medidas para expandir esse acesso foram tomadas pelo governo federal, como o PROUNI, porém, a falta de comprometimento e uma política conjunta de infraestrutura gera atualmente uma grande greve dos professores, estudantes e funcionários das universidades federais, que já se estende por mais de 3 meses. Em meio a essa realidade, algumas bandeiras históricas de luta por melhora na educação ganham espaço. Entre elas a questão das cotas e dos 10% do PIB para educação.

Estão em debate, hoje, dois tipos de cotas, a racial e a para estudantes de escola pública. Estas medidas visam desconstruir e equilibrar as desigualdades de oportunidades que existem no ensino básico. As cotas raciais têm como objetivo reverter uma dívida histórica. Até hoje vivemos numa desigualdade racial, onde, independentemente da classe social, o negro tem mais dificuldade para arrumar emprego, e de maneira geral, ganha menos que o branco exercendo a mesma função. As cotas para os estudantes de escolas públicas são necessárias, pois, hoje, o aluno de colégio público pode estudar muito, mas a sua chance de entrar no ensino superior gratuito é mínima. O que ocorre é uma diferença, não de esforço, mais sim, de oportunidades, entre o aluno de colégio público e particular. Portanto, as cotas tem o intuito de desconstruir essa diferença e equilibrar as oportunidades.

Atualmente, em algumas universidades federais, a política de cotas raciais já está em vigor, e vale lembrar que os alunos cotistas têm notas e rendimento melhor do que os não cotistas, mesmo vindo, em sua grande maioria, de colégios públicos.

As primeiras e mais óbvias melhoras na educação são: a melhora na infraestrutura; e a valorização do professor. As escolas tem que estar preparadas para receber a quantidade de alunos que estão matriculados, havendo assim biblioteca, sala de vídeo, lousa, sala de computação, etc. Mais importante que isso, o professor precisa ser valorizado, ganhando um salário alto, e sendo também, cobrado. Por outro lado, não se realizam tais coisas sem recursos, e é ai que entra a bandeira dos 10% do PIB para a educação. Recentemente, essa medida foi aprovada no congresso, mas se isso será efetivado ou não, ainda é uma dúvida e, portanto, deve-se pressionar o governo para que isso realmente aconteça.

As cotas são a única forma de se tornar o acesso à universidade mais justo em curto prazo, e somente os 10% do PIB para educação pode garantir os recursos necessários para grandes melhoras na educação. Porém, tudo isso deve ser acompanhado de um grande projeto educacional. Precisa-se de uma educação que ensine a pensar e não a obedecer. É preciso de novos métodos de ensino, menos tediosos, mais dinâmicos e mais atuais. É preciso pensar em um vestibular mais justo, pois somente a política de cotas não basta. É preciso pensar a educação a longo prazo.

Cotas, 10% do PIB pra educação, aumentos salariais, todas essas são bandeiras de curto prazo, porém, extremamente necessárias para iniciar mudanças, dando a população, alguma resposta, pois a questão é urgente. Mas a luta não para aí, ela pretende mudar completamente o ensino. A luta é por uma verdadeira revolução educacional. Este é o objetivo.

 

*Guilherme Fragonese é estudante do Colégio Ítaca e militante do Juntos! nas Escolas

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