Ato a favor das cotas em Brasília

22/ago/2012, 00h12

*Tarsila Borges e Isabela Nascimento

Depois de o Supremo Tribunal Federal ter decidido, em abril deste ano, pela constitucionalidade da lei de cotas raciais nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) abre-se uma importante lacuna para a atuação dos movimentos sociais que há muitos anos saem em defesa da implementação deste sistema. Nos últimos dias acompanhamos a aprovação no Senado do projeto que destina 50% das vagas das IFES para alunos oriundos de escolas públicas, prevendo ainda um recorte étnico-racial dentro desta reserva.  O projeto aprovado não dá conta de todas as distorções produzidas por séculos de exclusão e opressão em nosso país, entretanto, simboliza um avanço democrático necessário para o Brasil, fortalecendo os movimentos sociais que seguem empenhados na luta por um país menos injusto.
Uma grande polêmica iniciou-se entre os jovens de escolas particulares de Brasília. A indignação foi tanta que até resolveram organizar um ato contra as cotas, criando um evento nas redes sociais convocando os estudantes para uma marcha, com a hashtag #NãoCotasSimEducação. Deram a entender que aqueles que se posicionassem a favor das cotas estariam indo contra o avanço da educação, porém se manifestaram de forma bastante individualista nos debates da página do evento.
Em contrapartida a esse movimento, organizamos uma marcha no mesmo dia e horário em favor das cotas como forma emergencial de democratizar e popularizar as Instituições Federais. Houve uma pequena reunião segunda-feira (13/08) para dividir as tarefas e pautar detalhes do movimento que está sendo construído, e durante a semana confeccionamos cartazes e passamos em escolas públicas panfletando e informando os alunos, convocando-os para a marcha.
A marcha aconteceu nesse sábado (18/08) e foi um sucesso, não pela quantidade de pessoas e sim pela mobilização e a unidade construída. Havia estudantes universitários da UnB, secundaristas de escolas públicas e privadas, e pessoas que simpatizaram com a mobilização. A concentração foi em frente a Catedral e saímos em direção ao Congresso Nacional, onde estavam os manifestantes da marcha #NãoCotas. Ali, no gramado em frente ao Congresso, fizemos uma roda e começamos com os gritos de ordem, provocando certo incômodo nos manifestantes da marcha contrária as cotas.
Defendemos a nossa causa destacando sempre a importância de verdadeiramente popularizar e democratizar as universidades federais, buscando a inclusão daqueles que sempre viveram à margem da sociedade e lutando contra a competição desleal existente entre o ensino privado e o público, entre brancos e negros, ricos e pobres. Mas mesmo assim pessoas que apoiam o #NãoCotas sentem-se oprimidos por querermos tirar os privilégios que sempre tiveram, para garantir finalmente o direito daqueles que sempre foram maioria e ainda sim excluídos socioeconomicamente.
O Juntos! segue empenhado na luta pela democratização do acesso à educação de qualidade! Ao lado do movimento estudantil, do movimento negro e o movimento de cursinhos populares, questionamos a razoabilidade do atual sistema de acesso às universidades, o vestibular. Defender a implementação de um projeto de ações afirmativas para a juventude negra é caminhar rumo à reversão das distorções racistas que marcam a nossa sociedade. Por isso estamos Juntos! em defesa das cotas, caminhando rumo à uma universidade pintada de povo.
“Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um.” (Fernando Sabino)

*Tarsila Borges e Isabela Nascimento são secundaristas do ensino privado e militantes do JUNTOS – Brasília DF.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017