Juntos pela educação que nos ensina a pensar, não a obedecer!

16/ago/2012, 08h42

*Por Christian Sousa (secundarista do Juntos Campinas)

Dentro das escolas vemos o mesmo método chato e ineficaz, cheirando à poeira da carteira em que nos sentamos; cheio de rugas e esclerosado, tal sistema já declarou falência social, financeira e política há muitos anos. A única coisa que consegue ensinar é a conformação, os aplausos, e as vaias.

Fora das escolas, a noção primitiva e virulenta dos pais e alguns alunos: apenas se aprende algo na escola – e somente quando o ensino vem dos professores; nada se faz do lado de fora e, quando nada é feito dentro também, ok: “pelo menos os jovens não estão na rua, sujeitos à violência e às drogas”.

Fora das cabeças, a mídia passa buzinando que os alunos não prestam, que os professores bons são estimulados, que os estudantes bons são os que viram executivos escravagistas ou cientistas alheios ao resto do mundo. E, pior, a ilusão: “O Ideb está crescendo! O Enem está incluindo!”.

Falsidades! A maioria das escolas se converteu num centro de desperdício de tempo, onde largam-se os jovens e os deixam de molho até “normalizar”. Ensina-se o básico para que, no futuro, o aluno consiga assinar o próprio contrato de trabalho e entender que o número que aparece no fim do mês é o quanto ele vale no mundo.

De uma minoria dos cidadãos, que assiste a esse circo com desprezo, todos indignam-se e entristecem-se à morte, exigindo um vestibulasr decente do jovem e vaiando o Estado no vazio, enquanto alguns poucos ainda conseguem pôr os filhos numa escola particular, onde o processo de fabricação de alunos “é mais forte”.

O ciclo continua. Onde existem possíveis falhas, o sistema de “sociedade do espetáculo” funciona muito bem. Todos vaiam, alguns também aplaudem, ninguém dialoga e muito menos faz alguma coisa. Grêmios estudantis, centros acadêmicos e outras instituições democratizantes da educação morreram de fome ou se converteram em ferramentas de direções escolares corruptas.

Contra essa falsidade estampada na cara quase todo politico, o Juntos! Campinas reuniu secundaristas de toda a cidade, mesmo dos bairros distantes, para renunciar a mais um dia de tédio e parar pra pensar a sociedade, dar um basta. Sexta-feira, 10 de agosto, uma semente forte foi plantada na cidade, com a terra fértil dos nossos sonhos e a corrente cristalina dos nossos propósitos: acordar a cidade, o país, o mundo para a força e a pureza de quem o futuro pertence.

A nós, alunos indignados com esse sistema de ensino fabril, formador de passivos escravos do futuro, não nos cabe oferecer uma solução. Não nos cabe propor um novo sistema de ensino. Não somos nós que devemos fazer isso, nem podemos. Não fomos nós que passamos décadas aprendendo sobre teorias da educação e pedagogia. Quem devia fazer um sistema bom, não fez e não fará.

E então? Vamos parar de reclamar? Vamos exigir efetivamente? Campinas, aguarde. Os estudantes estão se acordando dessa hibernação. E estamos com fome. Só sabemos do que nós queremos: uma Educação que nos ajude a pensar, e não que nos ensine a obedecer!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017