XI congresso fortalece o movimento estudantil na USP!

29/ago/2012, 16h12

Pedro Serrano*

Se existe uma palavra para definir o estado de espírito dos estudantes da USP, essa palavra é indignação. Desde que João Grandino Rodas assumiu a reitoria, a universidade tem passado por uma série de mudanças elitistas e que infringem seu caráter público, demonstrando a maneira como o PSDB enxerga a educação no estado de São Paulo. O maior exemplo da política tucana que vem sendo aplicada na USP foi, no ano passado, a truculenta ação da tropa de choque da Polícia Militar dentro do campus.

A partir de então, uma forte mobilização estudantil foi iniciada, reunindo milhares em assembleias e atos de rua, e dando uma verdadeira “aula de democracia” a universidade e toda sociedade. Ainda no início de 2012, o movimento estudantil viveu outro momento importante, durante as eleições para o DCE. Disputava as eleições a chapa “Reação”, ligada a partidos como PSDB e PP, e que pretendia entregar o DCE nas mãos da reitoria. Sua derrota aconteceu através da participação de mais de 13000 estudantes, dentre os quais 7000 escolheram a atual gestão do DCE, composta pelo Juntos! em unidade com outros coletivos e independentes. (Meses depois, vazou uma foto de toda chapa Reação tomando “café com brioche” no gabinete de Rodas – e com o Rodas!).

Um congresso para democratizar a USP e defender a educação!

Diante disso, o XI congresso aconteceu com um objetivo bastante claro: armar a luta do movimento estudantil pela democratização da universidade. Era preciso reunir estudantes da USP inteira indignados com a reitoria para uma ação conjunta no próximo período. E o resultado foi o melhor possível! O congresso aglutinou estudantes de quase todos os cursos e de 5 campi da USP. 26 teses foram inscritas ao congresso, que contou com a participação de mais de 500 pessoas em seus espaços e mais de 300 delegados credenciados. Pelos debates, passaram também importantes professores da USP, como Vladimir Safatle e Jorge Luiz Souto Maior.

Os estudantes da USP manifestaram, no congresso, sua posição crítica em relação ao governo federal e prestaram solidariedade à greve das universidades federais e à luta por 10% do PIB para educação pública já! Ao mesmo tempo, dentro da USP, discutimos a necessidade urgente de democratizarmos a estrutura de poder e o acesso à universidade. A luta por diretas para reitor e por uma estatuinte na USP serão centrais nesse sentido, bem como a exigência de que a universidade adote cotas sociais e raciais imediatamente. Para o próximo período, o movimento estudantil terá um calendário unificado de luta e mobilização.

Vitória do movimento estudantil amplo e construído em unidade!

O congresso representou também a vitória de uma concepção de movimento estudantil que tem estado em disputa na universidade. De um lado, alguns defendem uma construção restrita e de vanguarda, incapaz de dialogar com os milhares de estudantes da USP. De outro, setores priorizam a autoconstrução e enfraquecem a luta contra a reitoria. Alguns desses setores atualmente ligados ao governo federal, simplesmente boicotaram a construção do congresso, e por isso foram derrotados em sua perspectiva política.

O Juntos!, desde o início, foi protagonista da construção congressual e da luta por democracia na USP. Protocolamos a maior e mais representativa tese ao congresso (ver aqui), elegemos delegados em todos os 5 campi representados e em dezenas de cursos. Intervimos ativamente nos quatro dias de debate e deliberações e seguiremos na luta, no próximo período, para a construção de um outro tipo de universidade: mais pública, aberta, democrática e livre dos mandos e desmandos de Rodas. No mundo, no Brasil e na USP, “nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar!”

*Pedro Serrano e diretor do DCE da USP e militante do Juntos!