A primavera tem que continuar

18/out/2012, 22h45

Ainda estamos em outubro, mas o ano de 2012 reuniu tantos eventos importantes que podemos ensaiar um prévio balanço. Se olharmos para os inúmeros acontecimentos – dentre eles a greve das federais, o julgamento do mensalão e a própria eleição – de maneira isolada, podemos concluir que são eventos cujos resultados são efêmeros. No entanto, o significado destes acontecimentos para a vida política do país não são eventuais. A greve das universidades federais brasileiras, por exemplo, significou mais do que apenas uma paralisação. Foram três meses de intensos debates sobre a precária situação da educação pública brasileira e de organização de novas fileiras de ativistas. Não foi raro ouvir dos estudantes grevistas que, em situações anteriores, haviam sido contra a greve, mas que dessa vez não tinha como, ou uniam forças para arrancar as justas reivindicações ou nada mudaria.

Mesmo antes do ano de 2012 acabar, uma parcela expressiva da população brasileira já deixou registrado seu recado. Basta de desigualdades e injustiças. Basta de uma Política em benefício de uma casta de privilegiados. As tantas mobilizações, paralisações e as grandes campanhas eleitorais construídas sob o mote “não ganho um real, estou na rua por um ideal” expressaram uma vontade coletiva de mudar os rumos da política brasileira. Antecipando este cenário, no início deste ano, o Juntos lançou a campanha “Ocupar a Política”. Acreditávamos que diante da miséria política, econômica, social e cultural que o sistema capitalista promove de forma tal explícita atualmente, haveria aqueles que não se resignariam e sairiam em busca de alternativas. Além disso, apostávamos que o momento eleitoral deveria ser também uma trincheira para esta disputa. A juventude indignada não poderia permitir que os “políticos profissionais” sigam governando em nosso nome. Precisávamos aproveitar tal momento para promover o debate sobre a necessidade de uma profunda revolução democrática na política brasileira.

Orientado por esta campanha, o Juntos decidiu entrar pra valer no debate eleitoral em Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Santarém, Belém, Maceió, Natal, Campinas, São Carlos, São Paulo, Niterói, São Gonçalo e também no Rio. Em todas estas cidades construímos nossa plataforma e estivemos engajados na construção de candidaturas que pudessem representar as principais lutas da juventude destas cidades, auxiliando na reconstrução do significado da política. A maior expressão disso foi a campanha de Marcelo Freixo para a prefeitura do Rio de Janeiro. Nesta cidade, com Freixo e o PSOL alcançamos o patamar de 30% dos votos e elegemos uma bancada de quatro vereadores. Mas o êxito desta campanha, não para por ai. O maior legado da campanha “Fecho com Freixo 50” é a avalanche de participação política que esta cidade foi palco. Vimos surgirem centenas de novos ativistas de todas as cidades, especialmente jovens. Mais de 100 comitês de campanha que hoje se transformam em núcleos de resistência política na cidade. Diferente de outras eleições, o pleito carioca tinha um grande debate em cena: dois projetos distintos de pensar e organizar a cidade. De um lado, o Rio pra poucos (empreiteiras e grandes empresários), e de outro, o Rio para quem vive nele e não vive apenas dele. Apesar de não termos ganhado a eleição, o que já era esperado, tivemos uma vitória política maiúscula. Reencantamos para a política uma nova geração e galgamos os primeiros degraus para a construção de um novo sentido para a política na cidade e no país, pois o exemplo de Freixo transbordou as fronteiras do Rio de Janeiro.

As demais candidaturas apoiadas pelo Juntos também saíram muito vitoriosas. Fernanda Melchiona foi reeleita com 7.214 votos, mais que o dobro alcançado na eleição anterior. Jurandir Silva, na cidade de Pelotas, alcançou cerca de 25.000 votos (13,09% do total) e junto com o candidato a vereador Luan Badia ajudou a fortalecer o PSOL e o Juntos na cidade. Em Natal logramos eleger Sandro Pimentel, dirigente da FASUBRA, o qual protagonizou importantes greves dos servidores federais e agora seguirá combatente como vereador. Em Belém do Pará a candidatura jovem de Anderson Castro alcançou 1.212 votos. Em Santarém, Ib Tapajós fez quase 900 votos num cenário difícil para a esquerda na cidade. Niterói, que vivenciou uma grande ebulição política, o candidato do Juntos Bruno Menezes organizou os jovens secundaristas desta cidade e conquistou 999 votos. Em São Gonçalo, o Juntos lançou o candidato a vereador mais jovem do país, Jorge Lucas com 17 anos. Em campinas com Marcela Moreira, e também em São Carlos com Dante Peixoto, construímos belas campanhas pautadas pelo ativismo e pelos sonhos da juventude. Assim como em São Paulo, cujo grande desempenho de Giannazi garantiu um feito histórico para a esquerda da cidade: a eleição do primeiro vereador do PSOL na capital paulista.

Os candidatos do PSOL apoiados pelo Juntos tiveram um excelente desempenho. O partido conquistou importantes marcas nas principais capitais do país: 32% e o segundo turno em Belém; 14% em Florianópolis; 12% em Fortaleza; 5,3% em Porto Velho; Bruno Meirinho em Curitiba com 8.800 votos; 4% em Porto Alegre; 4,25% em BH; aguerridos 1% em SP; e o grande feito de 28,15% no Rio de Janeiro. Na verdade, as conquistas desta campanha não se reduzem à matemática do voto. Conquistou-se um espaço à esquerda abandonado há muito tempo pelo PT, o qual nenhum partido havia podido ocupar até então. Fortaleceu-se uma perspectiva de luta democrática contra o atual regime político no país e muitos jovens encantaram-se com a política como vocação. O grande balanço desta eleição é que foram semeadas grandes possibilidades para as lutas que virão. E, sobretudo, fortaleceu-se uma ferramenta política de esquerda que será imprescindível para aqueles que se disporão a lutar no dia-a-dia por outro futuro. O PSOL, seus militantes, simpatizantes e entusiastas saíram muito vitoriosos deste processo.

Para o Juntos, ter sido parte da construção de mais esta página na história da luta e resistência em nosso país é motivo de orgulho. E com certeza os frutos desta primavera poderão ser colhidos nos próximos anos. Felicitamos os inúmeros ativistas jovens que se engajaram conosco nesta empreitada. Com certeza, a luta social em nosso país não será mais a mesma. Assim como, a trajetória política de cada um que se engajou nestas eleições carregará marcas profundas semeadas pelas recentes conquistas. Passados apenas seis meses do lançamento da campanha “Ocupar a Política”, tecemos o seguinte balanço, a primavera apenas começou. A ocupação da política pela juventude está no início do seu curso, importantes embates virão pela frente e os ativistas que estiveram conosco neste processo serão imprescindíveis para as próximas batalhas. Dessa forma, lançamos uma provocação: JUNTE-SE!

O ano de 2012 demonstrou que apenas a ação coletiva é capaz de colocar em cheque as atuais estruturas do sistema vigente, sendo assim, torna-se imperioso organizar ferramentas de ação conjunta. O Juntos deixa o convite para que todos venham se somar aos nossos esforços. Sua garra e suas críticas serão muito importantes para a construção de nosso movimento de juventude. Mas, fazemos uma segunda provocação: filie-se ao PSOL. Venha junto com muitos ativistas – dentre eles Freixo, Plínio e outros – refundar o sentido da política no país. O Juntos é um coletivo construído por jovens filiados ao PSOL e inúmeros outros que não são. Mas queremos provocar o debate sobre a construção de uma ferramenta que não se limite à organização de lutas parcelares, que seja capaz de fundir as iniciativas dos lutadores da saúde, da educação, dos jovens, entorno de um objetivo comum. Se você está decidido a engajar-se num movimento de juventude, lhe apresentamos o Juntos. E seguimos a provocação: tome partido também.

Foto: Luísa Cortês

 

                                                                                      “Nada Deve Deter a Primavera!”

Grupo de Trabalho Nacional do Juntos

17 de outubro de 2012.

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017