Plebiscito dos estudantes na USP: cresce a luta por democracia

23/out/2012, 23h00

Durante essa semana, acontecerá o plebiscito pela democratização da USP, uma das primeiras iniciativas do XI Congresso de estudantes. O Juntos! é entusiasta dessa campanha e chama todos a participar. Além disso, convidamos todos a debater com a gente os próximos passos do movimento estudantil para transformar a USP.

A juventude se movimenta pela democratização da universidade

A luta por democracia se tornou algo central para a USP hoje. Sob a gestão de João Grandino Rodas nós vivemos um dos períodos mais absurdamente antidemocráticos dessa universidade. Rodas se colocou na contramão do ideal de uma universidade livre e voltada para o interesse público.

Diante disso, os estudantes se colocaram em movimento pela democracia na USP. Em 2011, milhares participaram de atos e assembleias em um dos mais importantes processos de mobilização dos últimos anos. No início de 2012 mais de 10000 manifestaram o seu rechaço ao projeto da reitoria nas eleições do DCE. E ainda esse ano, o maior fórum do movimento estudantil esteve a serviço da democracia. O XI Congresso levou este debate para boa parte dos cursos e campi da USP reunindo centenas de delgados de curso para discutir e organizar iniciativas pela democratização da universidade. Se, por um lado, a atual gestão da reitoria ameaça o caráter público da universidade, por outro, a movimentação de toda a comunidade universitária abre a oportunidade de transformarmos a universidade.

Diretas para reitor e estatuinte – 2013 deve ser o ano da democracia na USP!

Mas o processo de luta pela democracia na USP está apenas começando. Teremos enormes desafios ano que vem e os estudantes devem estar preparados.

2013 será ano de sucessão de reitor. Uma reitoria antidemocrática como a que temos hoje só é possível em função do fato de que a escolha para reitor é realizada através de um processo extremamente restrito em que o conjunto da comunidade universitária é simplesmente desprezado. Não podemos nos esquecer de que Rodas foi o segundo colocado de uma lista tríplice em que apenas uma ínfima minoria participou da nomeação. Não podemos aceitar que isso aconteça novamente! Não teremos outro Rodas como reitor. Os estudantes irão se colocar com muita força em movimento para que as eleições para reitor da USP passem a ser diretas.

Mais ainda, precisamos mudar completamente o atual estatuto da USP. A nossa universidade é regida por uma lei extremamente autoritária e arcaica que sustenta a estrutura de poder fechada como a que temos hoje. Para piorar, o reitor pretende alterar este estatuto através do próprio Conselho Universitário. Ou seja, através da própria estrutura restrita e sem qualquer debate ou participação da comunidade universitária em geral. Mas mais do que isso, as alterações que ele propõe tornariam ainda mais restrita a estrutura de poder da universidade. No que se refere à sucessão do reitor, por exemplo, Rodas pretende criar um “Comitê de Busca para a Escolha do Reitor”, fazendo com que a sucessão do reitor passe a ser decidida por um comitê de 16 pessoas (dentre elas, apenas dois estudantes e um funcionário). O estatuto da USP não pode ser alterado desta forma! Precisamos de um amplo processo de estatuinte livre e soberana que congregue as três categorias da universidade (estudantes, funcionários e professores) para debater uma mudança profunda em nossa universidade no sentido de torna-la de fato democrática.

Por tudo isso, o ano que vem fundamental.. Teremos de construir um movimento muito amplo e fortalecido para pressionar a reitoria e garantir eleições diretas e uma estatuinte democrática. O XI Congresso deixou uma excelente perspectiva nesse sentido. O próprio plebiscito pela democracia na USP (uma das primeiras iniciativas aprovadas pelo congresso) serve como acúmulo nesse sentido. Ele deve servir como um grande grito pelo SIM à democracia que nos ajude a transformar a USP!

DCE pela democracia na USP!

A organização dos estudantes através de seus fóruns e entidades tem se mostrado de fundamental importância para o processo de democratização da USP. Não seria possível pensar em iniciativas, tais como o plebiscito, se não fosse através de espaços como o XI Congresso em que centenas de estudantes reúnem e debatem. Da mesma forma, as entidades estudantis são fundamentais para encaminhar as propostas feitas nestes espaços. É dessa maneira que podemos pressionar a estrutura de poder da universidade e construir uma universidade mais justa.

No fim deste ano teremos novamente as eleições para o DCE. Para o Juntos!, este momento não deve servir simplesmente para que façamos novamente a disputa entre os setores do movimento pela entidade. Deve servir, assim como foi início deste ano, para afirmarmos uma concepção de universidade e armarmos os estudantes com debate para o próximo período. Portanto, nestas eleições devemos uma vez mais demonstrar nosso rechaço a aqueles que pretendem tornar o DCE refém da reitoria legitimando suas ações autoritárias. Do mesmo modo, é necessário fortalecer o campo daqueles que sempre colocaram a construção do movimento pela democracia na universidade como prioridade, e não simplesmente a autoconstrução e a crítica aos demais setores do movimento estudantil.

É fundamental termos um DCE que se comprometa com a luta intransigente e constante pela democracia na universidade. O Juntos! está iniciando um processo de debate para construirmos chapas nos cursos para os centros acadêmicos e também para o DCE.

Na próxima terça-feira, 30/10, às 17h30 no prédio de Ciências Sociais, faremos nossa primeira reunião. Participe!