Tire o seu racismo do caminho

20/nov/2012, 14h58

*Por  Judson Marques

O Dia da Consciência Negra, estipulado por um projeto de lei do ano de 2003, é a data oportuna e simbólica para refletirmos sobre os avanços e o longo caminho que teremos que trilhar a fim de vencermos o preconceito e a falta de oportunidades que aflige a população negra do Brasil. A data relembra também a morte de um mártir da luta contra a escravidão. Zumbi dos Palmares, o negro que se tornou símbolo de resistência ao lado de tantos outros que travaram árduas batalhas para que hoje pudéssemos ver um Brasil um pouco mais justo.

A data traz à tona os obstáculos que a população negra tem que enfrentar em seu cotidiano. O racismo existe, mas para muitos a solução para extirpá-lo é: ”parando de falar sobre isso”. Ora, imagine se todos as vozes de luta não se rebelassem mais contra os problemas sociais que afetam majoritariamente a população negra, o racismo acabaria? A polícia deixaria de ser truculenta nas abordagens aos negros? As balas parariam de perseguir preferencialmente os negros? O número de negros desempregados diminuiria e a média salarial dos empregados aumentaria? A presença dos negros das Universidades se intensificaria? Deixar de falar sobre o racismo é legitimá-lo, porque o outro lado não aprende com nosso silêncio, muito pelo contrário, a falta de empecilhos só dá razão para julgamentos preconceituosos.

Precisamos avançar e muito para fazer valer a igualdade de direitos que a Constituição já garante na teoria, mas o Estado ainda não consegue adequar a prática. Devemos permanecer incansáveis na luta e defesa por igualdade e valorização da cultura afro que enraizou a cultura nacional. Ao invés de permitir que os oportunistas se apropriem dos ritmos e danças originados nos rituais, festas e crenças trazidos pelos negros para o Brasil, precisamos nos identificar e valorizar a participação dos negros nas construção da nossa cultura e de nosso país. Temos muitas dívidas com a população negra, e elas ainda hoje são pagas pelos negros que são vítimas do descaço do Estado desde que ele aboliu a escravidão no papel e deixou os negros reféns da própria sorte. Os tempos hoje são outros, avançamos consideravelmente através de políticas públicas de inclusão social que contemplaram os negros, as maiores vítimas da opressão resultante da pobreza, porém temos muitas batalhas contra a intolerância e a ineficiência governamental em propor e aplicar soluções mais abrangente e definitivas para modicar a triste realidade constatada nas estatísticas.

Hoje é um dia de reflexão e os próximos também são de combate ao racismo e luta pela igualdade de oportunidades. Que nossa força acumulada por século de contribuições heroicas seja empregada na luta contra o padrão de beleza excludente, contra a desvalorização dos negros na Grande Mídia e no combate a exaltação desproporcional dos heróis brancos em detrimento do esquecimento de pessoas negras que deram a vida na luta pela Igualdade. Hoje é dia de se orgulhar ao lembrar das nossas origens. Que o sangue de milhares de escravos na construção do país e de tantos lutadores negros não tenha sido em vão. Não retroceder é um dever, garantir que os diretos vigorem e permitam a igualdade é um objetivo.

*Judson estudante de cursinho e colaborador do Juntos.