Um convite à ousadia na UFU: em defesa de um DCE independente, combativo e democrático

27/nov/2012, 23h24

O ano de 2012 ficará marcado por uma greve histórica na educação, composta por todas as Universidades Federais do país, sendo que em muitas delas a greve atingiu os três segmentos (docentes, discentes e técnicos). Vale destacar o movimento grevista estudantil, que compôs a greve não somente em apoio aos professores, mas como sujeitos ativos desse processo com pautas próprias, construída em assembléias lotadas, com adesão de grande parte dos estudantes. Na UFU não foi diferente, uma vez que tivemos assembleias de curso e assembléias gerais, de deflagração de greve e construção das reivindicações estudantis, sempre lotadas, históricas para nossa universidade. Mesmo com as dificuldades encontradas nas negociações, dado o caráter “antidemocrático” da nossa reitoria, foi com a mobilização estudantil que conseguimos alguns avanços em nossas pautas. Essa greve veio nos mostrar a importância da organização dos estudantes em prol de seus interesses, nos mostrou como é importante a existência de uma gestão de DCE ativa, combativa e presente no dia a dia dos estudantes, em todos os campi. Nos trazendo a clareza acerca dos nossos limites e reconhecendo a necessidade de estar em contínuo movimento, buscando sempre avançar no que diz respeito ao cotidiano dos estudantes da UFU como um todo, em cada um de seus campi, em cada curso, em cada peculiaridade. Essa conjuntura reforça assim, a importância da luta em defesa de uma Universidade pública gratuita e de qualidade para todos.

Ainda em 2012 tivemos na UFU eleições para Reitoria. A falta de diálogo entre reitoria e estudantes não foi novidade no período eleitoral. Neste período a universidade se encontrava esvaziada em consequência da greve e, mesmo com os esforços feitos por um considerável grupo de professores e os estudantes, o conselho universitário (CONSUN) achou por bem não acatar a proposta de alteração da data das eleições para depois do fim da greve, mantendo as eleições em detrimento de um processo eleitoral amplo e participativo. Diante desse contexto, nós que somos parte da Gestão do DCE “Aos que virão”, por sermos oposição a atual gestão dos professores Alfredo e Darizon, declaramos voto critico à chapa “Todas as vozes”, da Profª Rosuíta e Profº Mauro, e em conjunto com o comando de greve, participamos da campanha #foraAlfredo.

Desde esse período o papel do movimento estudantil vem sendo questionado. De um lado, temos visto o crescimento de um sentimento conservador que clama à autoridade, deslegitima a organização coletiva e prega o conformismo. Do outro lado, vimos ressurgir grupos governistas como a UJS e o PT. São os grupos que estiveram à frente do DCE em 2011, e que ficaram marcados por uma gestão ausente, que agia de forma autoritária, desrespeitando os fóruns (CONDAS – Conselho de D.As e C.As) de decisão do movimento, deslegitimando as entidades estudantis, estando ao lado da reitoria e não dos estudantes, abaixaram a cabeça para as decisões autoritárias da reitoria, se retirando do lado da luta dos estudantes. Quanto ao governo, vemos que ele carrega na sua política, a mesma política de sucateamento da educação, e nesse ano não esteve ao lado dos estudantes na greve, não atendendo às suas reivindicações. Coube à nossa gestão 2012 revitalizar os espaços democráticos, realizando CONDAS e Assembleias periodicamente, para promover o debate e votar as decisões e reivindicações. Justamente no momento em que se abriu um amplo debate a respeito do caráter de nossa universidade e os seus passos para a democratização do acesso, como as cotas sociais e raciais, torna-se ainda mais necessário afirmar uma concepção de movimento estudantil independente, democrático e combativo, capaz de responder à demanda dos estudantes de nossa universidade. E é essa a concepção de movimento que defendemos.

Assim, acreditamos que nas eleições para o DCE da UFU que se aproximam, está colocada mais do que a simples disputa pela gestão da entidade. O que está em pauta é a capacidade dos grupos do movimento estudantil se unificarem em torno de programas unitários, que respeitem nossas diferenças, mas que sobretudo signifiquem a construção de sínteses políticas entre nós. Foi por isso que nós, do Coletivo Juntos e do Coletivo Vamos à Luta, batalhamos para a nossa unidade com o setor combativo do movimento Rompendo Amarras acontecesse. E mesmo com a negativa da chapa unificada, estaremos sempre abertos para que essa unidade aconteça ainda durante esse processo eleitoral e nas lutas cotidianas.

Acreditamos que somente com a unidade de grupos organizados e de estudantes independentes, a partir de um programa político que representa a nossa defesa de projeto de universidade transformadora, poderemos continuar tendo um DCE combativo, criativo e que luta ao lado dos estudantes. Assim a vitória de um setor mais consequente do movimento estudantil se faz necessária, para conseguirmos combater a política do governismo, e daqueles que vêm defendendo os valores mais atrasados da nossa sociedade, ajudados pela política de um setor direitista da universidade.

Por isso convidamos tod@s os estudantes dispostos a construir um DCE autônomo, democrático e combativo, que não se dobra nem para a reitoria, nem para o Governo, para conhecer a nossa construção de chapa para as eleições do DCE gestão 2013, na quarta-feira dia 28 às 17 horas no Bloco 3D sala 108. E na quinta feira, dia 29, nosso encontro será para construirmos nosso programa político às 17horas no bloco 4K sala 225.

Coletivo Vamos à Luta e Coletivo Juntos!

Essa é uma semana de recepção dos calouros na UFU, e nós do Juntos aproveitamos para dar às boas vindas com o nosso Jornal Juntos Uberlândia – Edição Dos Bixos e Bixetes à Eleição do DCE. Fique por dentro, leia o nosso jornal! E seja bem vindo(a) à Universidade Federal de Uberlândia!

Link para o jornal: http://issuu.com/juntosudi/docs/merged_document

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017