Em Portugal, Juntos acompanha a luta da juventude e constrói o I Acampamento Internacional da Juventude

16/dez/2012, 10h55

Pedro Serrano*

Por todos os cantos do mundo, 2012 confirma que estamos vivendo um novo período histórico. Em vários países, ao mesmo tempo em que se intensifica a crise econômica, cresce a resistência e a luta social. Manifestações, greves e piquetes, marcaram cada um dos meses deste ano que parece não querer acabar. Agora, mesmo próximo ao período das “festas”, continuam sendo as ruas e praças que determinam o futuro político de inúmeros países e milhões de pessoas mundo afora.

Há exatamente 1 mês, no dia 14 de novembro, uma vigorosa greve geral tomou vários países da Europa, em protesto contra a crise econômica e a política de austeridade da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI). A “greve internacional” do 14-N foi um passo extraordinário na luta internacional contra a crise econômica capitalista e os seus efeitos sobre os trabalhadores. Na Espanha e em Portugal, as greves chegaram a ter mais de 80% de adesão. Na Grécia, mais de 50% dos trabalhadores também paralisaram suas atividades. Na Itália, cerca de 90 cidades registraram mobilizações, o que se passou também em dezenas de países de todo continente europeu.
Definitivamente, a história volta a ser escrita nas ruas. E o “mapa da austeridade”, como disse o companheiro Bernardo Corrêa, do PSOL, que acompanhou as mobilizações do 14-N em Portugal, é cada vez mais o “mapa da resistência”. Em Portugal, isso é absolutamente claro. Nas ruas de Lisboa, o descontentamento com o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho é imenso. O povo português enfrenta um enorme pessimismo em relação ao futuro de seu próprio país e se vê cada vez mais compelido a lutar para transformar a atual situação. A economia permanece em recessão e o desemprego não para de subir. A resposta para isso, da parte do governo, é a austeridade. Passos Coelho obedece de maneira disciplinada e subserviente às determinações da Troika e coloca o povo português a pagar a conta da crise. Portugal passa atualmente por um processo de desmanche do Estado e dos serviços públicos conquistados com a Revolução de 1974. Passos Coelho, como muitos dizem por aqui, faz “a vingança do 25 de Abril”.

A juventude portuguesa é quem sente de maneira mais aguda essa situação. Entre os jovens, o desemprego chega a quase 40% e a educação no país vai de mal a pior. Para muitos, a decisão a ser tomada nessa situação é dramática: ou deixam Portugal e tentam a vida em algum outro país, ou lutam para mudar essa situação injusta.

No curto período em que estou em Lisboa, percebo que, cada vez mais, a opção tem sido pela luta. Recentemente, passou-se em Portugal uma mobilização como não se via desde a Revolução dos Cravos. No dia 15 de setembro deste ano, milhões de portugueses saíram às ruas em oposição a Troika e sua política de austeridade. O mesmo se passou recentemente na greve de 14 de novembro. Agora, mesmo no fim do ano, centenas de milhares de jovens, trabalhadores e cidadãos portugueses mobilizam-se contra a aprovação do Orçamento de Estado de 2013, que consolida uma série de medidas de austeridade e confronta-se de maneira escandalosa com a constituição democrática do país. Por onde quer que se passe, nota-se a enorme revolta da população com o atual governo e a política em geral. A corrupção e a falência da “partidocracia”, presentes também no Brasil, são gritantes. O Partido Socialista, mesmo sendo o maior na oposição, já não consegue capitalizar o sentimento de indignação que se espalha, e a urgência de se construir uma alternativa de esquerda é cada vez maior.
Como todo processo de luta da juventude e dos trabalhadores no mundo, o Juntos! se solidariza também com a luta portuguesa. Durante minha estada em Lisboa, tenho estabelecido contato com companheiros do Bloco de Esquerda de Portugal, estendendo, em especial para os jovens, o convite para que participem de nosso I Acampamento Internacional da Juventude Anticapitalista, que acontecerá de 28 a 31 de março em Buenos Aires.

Na quarta-feira, encontrei-me com Rodrigo Rivera, ex-membro da Direção Nacional de Juventude do BE. Fiz com ele uma breve entrevista sobre a situação portuguesa, entreguei-lhe nossa nova edição do Jornal Juntos! e estendi o convite ao acampamento. Quando olhou o jornal, qual não foi a surpresa: Rodrigo conhecia ambas as mulheres estampadas na capa, que seguram cartazes durante uma mobilização do 14-N. Assim está a política em Portugal atualmente: por todos os lados. Dos jornais às pastelarias, universidades, fábricas e ruas. Espalhando, com cheirinho de alecrim, a certeza de que nada deve parecer impossível de mudar.

Veja a entrevista completa com Rodrigo Rivera aqui.

* Pedro Serrano é diretor do DCE-Livre da USP e militante do Juntos! Está em Lisboa, Portugal, acompanhando a situação política do país.