O Maraca é Nosso!

03/dez/2012, 15h29

*Por Júlia Menezes

No último sábado, 1º de dezembro, caminhamos juntos em defesa do Maracanã. Como se não bastasse destruir o projeto original do estádio com uma reforma orçada em cerca de 900 milhões em recursos públicos, o governador Sergio Cabral anunciou que, no próximo ano, o complexo esportivo será entregue à iniciativa privada. O projeto ainda prevê que sejam demolidos o Parque Aquático Julio Delamare, o Estádio Célio de Barros, a Escola Municipal Friedenreich e o prédio do antigo Museu do Índio, onde se localiza a Aldeia Maracanã.

Foi a indignação perante essa situação que uniu mais de mil pessoas em prol dessa luta. Estudantes, professores, torcedores, atletas… Fomos todos às ruas, a fim de que nossa voz fosse ouvida. “O Maraca é nosso!”, “Não à privatização!”… Inúmeros cartazes iam sendo levantados, chamando atenção daqueles que passavam. Muitos, inclusive, acabavam se juntando à manifestação.

Era bonito ver os pais e alunos da Friedenreich fazendo coro em defesa da escola, que está no local há 50 anos, e é a quarta melhor escola pública do Rio e 10ª no ranking nacional. Isso não pode ser ignorado. Como dizia uma das faixas carregadas por eles, “derrubar a escola é destruir sua história”.

Torcedores protestavam por aquele que sempre foi o principal palco do futebol. Atletas também estavam na luta, ameaçados de perder seus locais de treino. Indígenas da Aldeia Maracanã caminhavam em busca da preservação do antigo Museu do Índio, que, diferente do que pensa nosso governador, não é apenas uma simples construção, destituída de qualquer valor. O prédio é um patrimônio arquitetônico e histórico, e sua demolição é um atentado à cultura indígena.

É absurdo o descaso do governo em relação ao valor histórico do Maracanã, planejando torna-lo uma propriedade privada. Muito além de um espaço rentável, o Maracanã tem enorme importância cultural e social, e deve servir ao povo, não aos interesses de empresários e governantes.

O governo declara que o processo de venda já está finalizado, mas nós não devemos permitir que seja ignorada nossa opinião. É necessário que o povo questione a privatização, ocupe as ruas, seja sujeito da mudança, afinal, “a única luta que se perde é a que se abandona”.

*Júlia Menezes é estudante de Direito da UFRJ e colaboradora do Juntos-RJ

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