Na Aldeia Maracanã, não deixaremos o um novo Pinheirinho acontecer!

12/jan/2013, 21h50

Maíra Tavares Mendes*

Foi com muita dor que pudemos acompanhar no ano de 2012 o trágico desfecho da reintegração de posse do terreno da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). A reintegração, realizada sob o signo da truculência da PM de São Paulo, teve idas e vindas, sendo cada vitória na resistência comemorada com afinco. Na calada da noite, uma juíza corrupta conseguiu uma liminar que  conseguiu deixar o massacre do Pinheiro como símbolo da violência do mais forte contra o mais fraco. Logo no início de 2013, no Rio de Janeiro, num sábado chuvoso do período de férias, há o risco de o entorno do Maracanã se tornar o novo Pinheirinho.

A aldeia Maracanã é uma aldeia urbana onde moram 23 famílias indígenas. Juntamente com a Escola Friedenreich (a 4º melhor avaliada pelo Ideb no estado do Rio de Janeiro), o espaço do Museu, que abriga a aldeia, é um dos equipamentos públicos ameaçados de demolição pelo corrupto e inescrupuloso governo Cabral. Não bastasse o atentado contra a vida e a história dos povos indígenas representados na demolição, Cabral mentiu, afirmando que a demolição seria exigência da Fifa. O governador foi vergonhosamente desmentido pela suspeitosa entidade com quem trabalha com muita “parceria”, afirmando que o projeto de demolição é proposta do governo do Estado. Mesmo após ser desmentido, afirmou que a demolição seria necessária para construir um estacionamento (isso mesmo, trocar um museu, uma aldeia e uma escola por um espaço vazio utilizado para parar carros), trazendo maior “mobilidade e conforto” que ao Complexo do Maracanã, agora entregue à iniciativa privada.

Desde as 8 da manhã deste sábado (12 de janeiro), o Batalhão de Choque da Polícia Militar cerca o espaço do Museu do Índio, para cumprir (irregularmente) o despejo com a liminar de reintegração de posse. Desde muito cedo, ativistas e lideranças tem tentado impedir mais um massacre urbano através da resistência pacífica. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, esteve presente procurando denunciar as irregularidades jurídicas e coibir os já conhecidos excessos da Polícia Militar. Todos estão muito preocupados por saber, na pele, que na disputa pela terra a lei é escrita na ponta do fuzil. Como o governo Cabral não conseguiu o mandado de despejo até as 18h, a polícia se retirou, mas o clima ainda é de muita tensão.

O Juntos! está acompanhando com atenção essa movimentação e irá publicar relatos de diversos ativistas que tem prestado solidariedade a essa luta. Se você também deseja que seu relato seja publicado no Juntos, escreva para juntosrj@gmail.com

Toda solidariedade à Aldeia Maracanã! Não podemos permitir a demolição de nosso patrimônio histórico e cultural em função de um estacionamento! Não deixaremos um novo Pinheirinho acontecer!

*Maíra é militante do Juntos, estudante da UERJ Maracanã e é do PSOL-RJ.