SUS: esse é o meu plano!

07/fev/2013, 15h15

Eduardo Barros*

Como todo grande avanço, o SUS foi fruto de ampla mobilização de um conjunto de forças sociais unidos pelo propósito da Reforma sanitária da Década de 1980. Revelando uma aproximação aos princípios do Estado de Bem-Estar-Social (Welfare state), fazendo contraponto ao paradigma liberal e neoliberal, que defendem a redução do papel do Estado na garantia de qualidade de vida a população. Passados 23 anos desse processo, vemos um sistema que tem muitas falhas, muitas lacunas, muitos equívocos sofrer por falta de seriedade e comprometimento.

Todos nós sabem que nosso sistema de saúde tem dificuldades, mas convido todos a refletir sobre o que estamos fazendo para manter o nosso controle social? O que estamos fazendo pela melhoria desse sistema? O que estamos fazendo para impedir que a nossa saúde caía nas garras do grande capital? Qual a saúde que queremos?

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Quem conhece muito bem as mazelas desse sistema são os usuários que enfrentam filas para marcação de consultas, marcação de exames, transplantes e cirurgias. Por todo país conhecemos relatos de pessoas que morreram por falta de atendimento adequado, mas um ponto merece nossa atenção: as emissoras só pontuam as falhas do sistema, erros dos profissionais, de falta de equipamentos e matérias, por que eles não retratam os golpes que vem sendo dados à saúde pública? Ora, porque isso não faz parte do jogo: “precarizar para privatizar”.

O golpe mais recente foi a EBSERH, proposta do então presidente Lula e aprovada em regime de urgência no dia 5 de julho de 2011. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares irá gerir os HU’s segundo o interesse de seus gestores, estando o bem público a serviço do capital privado, ferindo o princípio do controle social. Nosso papel, é tentar barrar esse avanço, pois temos um dos melhores sistemas de saúde do mundo, mas precisamos que ele funcione.

Temos um papel muito importante no processo de avanço e consolidação do SUS, não podemos permitir que a nossa saúde seja moeda de troca, pois na última década houve um aumento no investimento em saúde, mas esse investimento não foi na saúde pública. O governo tem aumentado o incentivo fiscal aos planos de saúde que estão cada vez mais se aproximando dos famigerados planos norteamericanos. O SUS é um direito meu e seu, vamos ficar parados enquanto ele está sendo destruído?

 *Estudante de Enfermagem da UEPA, faz parte do Movimento Juntos!

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