A maré vai virar: essa é a luta que UNE a juventude cansada da velha política!

12/abr/2013, 15h42

Em um momento importante de construção de uma nova política e de reorganização da juventude, o jovem dirigente de Sumaré (SP), rompe com a União da Juventude Socialista para ingressar nas fileiras do Juntos! Esse passo é a mostra de que muitos jovens também tomarão a mesma atitude, de construção de uma juventude sem amarras com as antigas estruturas e que se somarão aos esforços da construção de novas alternativas. A maré está virando: no Brasil inteiro, a juventude indignada está se unindo por outro futuro. É a maré nos novos tempos que inunda a política.

Leia a carta de ruptura de Welinton H. Pereira, jovem dirigente estadual (SP) e ex-presidente da UJS Sumaré, rompeu com sua organização e acaba de ingressar em nossas fileiras:

“Venho por meio deste declarar oficialmente meu total desligamento da União da Juventude Socialista, que explico através destas linhas os meus motivos pessoais, ligados diretamente ao meu atual posicionamento político na conjuntura nacional-internacional, que é totalmente diferente ao da instituição, além de claro alguns desacertos ideológicos, que sempre me incomodaram.

O respeito pela historia da UJS permanece, seu passado nos trouxe grandes conquistas, e o seu presente, em algumas oportunidades, presta ainda serviços honrados à luta em alguns campos, porém o que me incomoda e me revolta, é o total estado de servidão a política de migalhas, ao passo do mínimo nunca conquistaremos a revolução.

E, sobretudo, o que nunca entrou em minha cabeça é tratar a militância como rebanho, é reunir os jovens em passeatas e congressos, sem nenhum tipo de orientação, preparação… Estou presente na luta pelos direitos da juventude desde muito cedo, tão cedo que hoje, mesmo ainda jovem, já tenho quase uma década de militância nos movimentos sociais. Nesse tempo aprendi muita coisa, e quando digo coisa, generalizo as experiências, ideologias e as lições que a vida nos traz…

Lá atrás, na sexta série, tive uma bela formação política, o que me deu base para seguir coerente com meus posicionamentos… Sem preparação, sem base e orientação, esta militância se torna uma espécie de “bala perdida” sem argumento ou preparação política (obviamente, não estou generalizando, dentro da UJS, tive contato com militantes, muito bem esclarecidos e formados dentro de seus argumentos).

Acredito que as unidades, os grupos de luta, têm como função canalizar esta revolta bruta, que todo jovem tem dentro de si, e não se aproveitar dela para promover ou receber prestigio político. E uma vez que isso deixa de ser prioridade, ao ponto de nem ser comentado, tudo perde o sentido.

Ao fim, comparo esta minha trajetória, curta e intensa dentro da UJS, com a do personagem “Capitão Nascimento”, dos filmes “Tropa de Elite”: no início de tudo, eu era um fervoroso, e decidido militante das trincheiras da juventude socialista, ao ter contato com a mecânica interna, principalmente em maiores âmbitos, eu me senti em alguns momentos enganado e até mesmo usado… Depois deste “baque”, com as coisas mais claras, vejo o mesmo que o capitão da história de José Padilha, que “agora o inimigo é outro”. Hoje, estou contra qualquer um que queira e pretende esconder ou disfarçar a verdade, estou contra quem tenta usar da força da juventude ao seu próprio prazer, estou contra qualquer força anti-revolucionária.

Agora, mais do que nunca, vejo que esta a revolução pode ser feita pela educação de uma geração, pela derrubada de dogmas, pela superação de paradigmas (inclusive dentro de ideologias, precisamos avançar no discurso socialista, o discutir, o debater, sem medo ou amarras… Comunismo não é religião).

Welinton H. Pereira, Ex- Presidente UJS Sumaré, e Dirigente Estadual”

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017