Chega de machismo e violência: Nota do Juntas! sobre o estupro de uma estudante em Lorena

01/maio/2013, 23h22

Juntas! A Luta das Mulheres Muda o Mundo

O machismo vivido nos últimos tempos na USP revela um problema muito grande: a opressão das mulheres dentro e fora da universidade segue chegando a extremos inadmissíveis. Na última sexta-feira (26/04), uma estudante da Escola de Engenharia de Lorena (EEL-USP) foi estuprada por dois colegas e um desconhecido durante uma festa em uma república. Após ir à festa, a estudante foi assediada por dois dos rapazes, que a impediram de sair do apartamento. Tentando se proteger, ela se trancou em um quarto, mas foi surpreendida pela continuidade da violência, já que os dois e mais um estudante forçaram a porta, entraram, tiraram a sua roupa e seguiram com o estupro. Somente após muita luta física e gritos, a menina foi “liberada” pelos três para ir para casa.

Esse caso, assim como tanto outros casos de violência, estupro e opressão, revelam o quanto a universidade segue sendo um espaço sem nenhum tipo de segurança para as mulheres. Mesmo o estupro não tendo acontecido dentro dos muros da USP, a direção e a reitoria tem responsabilidade sobre o caso, já que se tratam de estudantes da EEL-USP. É preciso uma política radical para que o machismo chegue ao fim dentro e fora da universidade.

Na segunda-feira, uma série de estudantes se reuniram em um ato no campus I de Lorena para protestar contra o machismo. Após a divulgação do caso, algumas pessoas chegaram a questionar se a garota “soube dizer não”. Nós, do Juntas, acreditamos que são os homens que devem aprender a ouvir não, e entender que qualquer tipo de relação forçada é uma forma de opressão e crime. Durante o ato, muitas meninas revelaram que casos como esse são, infelizmente, comuns na EEL-USP e que esse tinha sido apenas o primeiro a ser denunciado.

420659_10151447846761799_1301222901_nÉ preciso muita coragem para denunciar casos como o que aconteceu na última semana. Mas é preciso que as mulheres quebrem a barreira do silêncio, para que os agressores sejam punidos e para a proteção das mulheres. A organização feminista, para nós, é a melhor forma de instrumentalizar essas mulheres e dar-lhes a força política necessária para denunciar e seguir fortes na luta contra a violência sexual.

Dentro da universidade, também é preciso das um basta no machismo. Por isso, o DCE da USP está organizando um debate com grandes nomes do feminismo, como a blogueira Lola Aronovich (do Escreva Lola Escreva), Nalu Farias e Heloísa Borsari. Será nessa quinta-feira (02/05), às 18h, no auditória da Geografia da USP. Atos como esse são muito importantes para dar força para as mulheres.

Toda solidariedade à estudante agredida e à sua família. Sabemos que é um momento difícil, e acreditamos que ela é uma guerreira que está indo até o fim em sua denúncia. E que o seu caso sirva de exemplo para que possamos dizer com todas as letras: MACHISMO NUNCA MAIS.