UNESP se mobiliza em defesa da educação e contra o PIMESP!

16/maio/2013, 12h19

*Por Giulia Tadini e Marcos Faria

Já faz quase um mês que os estudantes da UNESP estão dando uma aula de democracia e de luta no Estado de São Paulo.  Os campi de Ourinhos, Assis e Marília deliberaram greve conforme apoio da ampla maioria dos estudantes.  Além disso, Araraquara, Franca, Presidente Prudente, Ilha Solteira, Jaboticabal, São José do Rio Preto e São Vicente realizaram paralisações entre os dias 14, 15 e 16 de maio, objetivando promover a discussão em torno das pautas em âmbito estadual.

Essa mobilização ocorre em um contexto no qual vemos um grande movimento em defesa da educação por todo estado.  E os estudantes da UNESP fazem questão de dizer que estão do lado dos professores que estão na luta por melhores condições de trabalho e contra a política de sucateamento da educação pública promovida pelo governo estadual (e também municipal, como no caso da capital paulista).

Outra luta em ambito estadual é pela adoção de cotas nas universidades estaduais paulistas. O governo estadual em conjunto com os reitores tenta impor o PIMESP sem nenhum debate. Este programa, longe de incluir, segrega ainda mais quando afirma que os estudantes oriuntos da escola pública, os negros e os indígenas não tem direito de entrar na universidade, mas devem se contentar com um curso técnico via ensino a distância (para saber mais do PIMESP, acesse: http://juntos.org.br/2013/03/para-barrar-o-falso-programa-de-cotas-do-governo-tucano-em-sao-paulo/). O movimento estudantil da UNESP pede a derrubada imediata do PIMESP nesta universidade. No último dia 26 o projeto foi aprovado em um conselho universitário, na calada da noite, sem debate com a comunidade universitária. Por isso a reivindicação da UNESP também é: Cotas sim! PIMESP não!

Além disso, a UNESP é a universidade paulista que mais sentiu o reflexo da política de expansão de vagas, o REUNI, implementado pelos governos Lula-Dilma. A gestão tucana, para responder ao aumento de vagas do ensino superior em nível federal, adotou o mesmo modelo deste: expansão sem garantias de qualidade e de permanência estudantil. São 24 campi espalhados por todo estado. Desses, 9 são experimentais, ou seja, não são definitivos: não têm representação nos conselhos da UNESP, não têm infra-estrutura (não tem bandejão e moradia, por exemplo). É o caso do campus de Ourinhos, que foi inaugurado em 2003, já esteve em dois locais diferentes na cidade, e que tem previsão de se mudar de novo em 2014. Tudo isso como unidade experimental.

Em maior ou menor grau todos os campi sentem a falta de prioridade dada à política de permanência estudantil. Em algumas unidades, o bandejão custa R$5,00, e há uma cota máxima de refeições servidas por dia muito menor do que o número de alunos daquela unidade. Por isso, na pauta de reivindicações unificada que saiu no último conselho de entidades do dia 4 de maio, além do rechaço ao PIMESP, há a reivindicação por restaurantes universitários e moradias (com gestão democrática) em todos os campi, além do aumento do oferecimento e do valor das bolsas. Em Araraquara, por exmplo, os estudantes estão realizando uma ocupação reivindicando democracia na gestão das moradias.

Nós do Juntos! apoiamos a mobilização dos estudantes da UNESP, e nos incorporamos no chamado ao ato unificado do dia 17 de maio, sexta, na parte da tarde, na frente da reitoria (Rua Quirino de Andrade, 215 – Centro). Estaremos lado a lado lutando por cotas e por políticas de permanência estudantil!

*Giulia Tadini é diretora do DCE-Livre da USP e do Grupo de Trabalho Estadual do Juntos!

Marcos Faria é estudante da UNESP Araraquara.

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