17J: O despertar dos indignados brasileiros

18/jun/2013, 11h11

Vivemos definitivamente um dia histórico. O 17 de junho de 2013 assistiu a maior mobilização popular desde o Fora Collor. Após 21 anos, o povo promove uma grande demonstração de força, que expressa o enorme descontentamento com os políticos, a corrupção, os péssimos indicadores sociais que foram potencializados pela crise do modelo de cidade, expresso no aumento do transporte público. Está mais do que evidente aos olhos do mundo, do país e dos governantes que não lutamos por apenas R$ 0,20. O dia de ontem foi a gota que transbordou. O famoso “salto”.

1006127_632003440145806_984386197_n O levante juvenil é muito maior do que a imprensa afirma. Eram mais de 120 mil nas ruas de São Paulo. 100 mil no Rio de Janeiro. 50 mil em Belo Horizonte. 20 mil em Belém, além de atos grandes em Porto Alegre, Salvador, Vitória, entre diversas cidades que foram parte deste grande movimento. Ultrapassamos em muito a marca de 500 mil nas ruas. Uma das maiores vitórias foi impôr a mobilização de ruas, método prioritário da esquerda e dos combativos, como prática de toda uma geração que desperta para a luta política.

Na linha de frente da organização das manifestações se encontraram pequenas e grandes lutas que a juventude vem acumulando nos úlitmos anos: a luta pelo “Fora Feliciano”, das Marchas das Vadias, em defesa dos povos indígenas, as greves nas universidades federais, a luta da juventude da periferia. Foi muito mais que a soma destes movimentos. E uma repulsa enorme ao poder, aos governantes e as forças da “ordem”.

Uma das palavras-de-ordem mais frequentes das manifestações é que o “povo acordou”. Esse é um sentimento genuíno e expressivo desse dia histórico. Uma combinação da influência dos indignados do mundo, a indignação com a própria política no Brasil e a crise que começa a alastrar na economia brasileira. A primeira resposta dos governos petistas e tucanos foi a repressão. O feitiço voltou contra o feiticeiro. Cada manifestante agredido multiplicou-se por dez na passeata seguinte. A maré virou.

São Paulo categoricamente expressou a derrota das polícias e dos aparatos repressivos. “Ah que coincidência, sem polícia não tem violência” foi repetido à exaustão durante a passeata. A polícia acostumada a reprimir foi obrigada a esconder o cassetete, ao contrário da sua atividade diária nas periferias do Brasil. Contudo essa dinâmica não se expressou nas demais cidades. Seguimos na luta contra a repressão policial.

O discurso dos “de cima” não nos convence. Suas saudações à democracia não acatam a vontade popular. Temos um foco neste momento: revogar imediatamente o aumento de todas as tarifas de ônibus que foram aumentadas no Brasil. A começar por São Paulo e Rio de Janeiro, no embalo das vitórias de Porto Alegre, Goiânia e outras tantas cidades. A vontade do povo será uma imposição das ruas. A luta por democracia real no Brasil despertou e está apenas começando. O Brasil finalmente conheceu seus indignados. Não é hora de separar o movimento entre quem defende partidos ou não. Isso pode gerar confusão. Não nos interessa dividir a luta, justamente quando ela está próxima da vitória.

O prefeito de Porto Alegre já anunciou uma nova redução da tarifa. E agora, devemos lutar para concretizar nossa primeira bandeira. A vitória da “batalha da tarifa” será o primeiro capítulo de uma nova maré: a luta por concretizar nossos direitos. Não queremos apenas uma parte. Queremos mais e mais. Não é só por vinte centavos.

Convocamos os indignados brasileiros para seguir nas ruas até a tarifa baixar. Nessa semana nossa casa será a RUA.

Grupo de Trabalho Nacional do Juntos

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017