A solidez do PT se desmancha no ar

21/jun/2013, 12h23

* Pedro Serrano

É claro que o governo federal está agora perplexo, fazendo uma reunião de crise e de emergência. A massa brasileira que está indignada, nas ruas, recusa total e radicalmente a política como ela é hoje. A grande representação disso, naturalmente, é o governo federal, que agora se reúne quebrando a cabeça para tentar manter a ordem burguesa, da qual são os maiores mantenedores. O PT, que já foi capaz de movimentar a esperança de milhões, hoje governa com a direita, engrossa o saco da farinha podre da política nacional. Sem que tenham havido passeatas pedindo por isso, já estão todos juntos, no poder, ruralistas, capital financeiro, homofóbicos, ex-membros da ARENA. E, agora, esse levante popular multitudinário marca, de maneira abrupta e radical, uma ruptura de massas com o PT. O PT nunca mais conseguirá erguer suas bandeiras com dignidade pelas ruas de São Paulo e do Brasil. Trata-se de um partido que representa a decepção das pessoas com a política. Alguém já parou para pensar o que significa, por exemplo, a decepção com Haddad para a população de São Paulo? O que era o atual prefeito na propaganda eleitoral e o que é no exercício de seu mandato?

O vigor do movimento de massas, em dias, transforma completamente tudo aquilo que pensávamos ser estável. Onde está a popularidade de mais de 70% da presidência? Onde está o todo poderoso Lula? Porque não resolve, ele, depressa logo toda essa situação? Porque o povo quer que todos se vão. Nada presta. A política e as grandes instituições estão apodrecidas. Não adianta a Globo manipular: o povo, na rua, manda ela “tomar no cu”. Não adianta a polícia travestir-se de respeitosa: todos sabem que a violência só não vem à tona quando não atuam os policiais.

Uma certeza? O povo está certo: o PT é um partido de traidores. Outra? Estou na rua com esse povo, querendo construir uma alternativa pela positiva. Aprendendo, junto com eles (não me venham dizer que aprendo menos com os milhões do que com os 5 ou 6 mil com quem marchávamos anteriormente), que o PT deve ser superado, assim como o PSDB, DEM, PSD, PPS, PMDB, PC do B e qualquer resquício de ultra-direita que ainda exista no país. Ser radical, absolutamente radical na exigência democrática, agora, é exigir radicalmente o novo, não aceitar nada além do novo e da mudança, da revolução em nossas vidas. Inclusive dentro da esquerda, da política e dos partidos, infelizmente manchados pela traição da antiga esquerda. E assim avançar para que novo seja radicalmente democrático e ligado às pautas históricas do povo e da esquerda (mesmo que não identificado nominalmente com isso). Queremos uma democracia de verdade no Brasil. O método: ocupação das ruas, enfrentamento, desconfiança completa na burguesia e na polícia, já começou correto. Os métodos da esquerda, do poder popular, que apavoram completamente os de cima e os que a eles são subservientes.

Ainda que doa, é necessário dizer: além dos governos e prefeituras, do PT e PSDB, da Globo, da mídia e da burguesia, já se assustam e vão se assustar cada vez mais todos aqueles que, num passado recente, acreditaram ser possível haver “amor” – em SP e em todo Brasil – com as alternativas eleitorais e políticas do Partido dos Trabalhadores. Não é possível. As transformações radicais no Brasil têm de varrer também o PT da política nacional. E a “entrada” dos militantes desse partido na passeata de ontem em São Paulo foi uma provocação explícita.

O novo vem das ruas. Das ruas completamente tomadas, nas quais muitos erguem bandeiras do Brasil e cantam o hino nacional, como é referência de qualquer mobilização de massas no Brasil. Com muito orgulho e com muito amor, estou convencido a construir uma democracia real já em meu país!

* Pedro Serrano é estudante de Ciências Sociais da USP e militante do Juntos!

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