Em Belém a Rua Também é Nossa

19/jun/2013, 15h29

*Anderson Castro

*Silvia Guerreiro Giese

Nos últimos meses a juventude brasileira vem se tornando protagonista de diversas manifestações que iniciaram com a luta contra o aumento da tarifa de ônibus e logo depois foi ganhando corpo o agitar de bandeiras que tem como eixo central defender melhorias na qualidade de vida da população que sofre com o descaso dos Governos Federal, Estadual e Municipal para com a Seguridade Social (Saúde, Educação, cultura, …) partindo da alegação de que não existe verba pública suficiente para atender essas e outras demandas como a geração de emprego, renda e a baixa no valor dos alimentos.

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Contraditoriamente, O Governo Dilma gastou bilhões do orçamento Público Federal para a construção dos grandes projetos destruidores do meio ambiente como o da construção da Usina de Belo Monte e o bom e velho pão e circo popularmente chamado de Copa do Mundo. A indignação da população é tanta que na abertura da copa das confederações duas cenas chamaram a atenção mais que os dribles desconcertantes do Neymar. Do lado de fora do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, manifestantes protestavam contra os gastos exorbitantes da Copa e do lado de dentro vaia para Dilma. Foi um coro maior que a ola e reflexo da maré indignada que vem levando multidões no Brasil e no mundo a lutar por outro futuro.

 

Nesta segunda, 17 de junho, Belém do Pará se uniu a onda de protestos pelo Brasil, agora somos um só #Aruaénossa. Mais de 13mil manifestantes fecharam a Almirante Barroso, principal via de acesso a cidade, seguindo até o anel viário do Entroncamento, perpassando por metade do curso da obra do BRT (BUS RAPID TRANSPORT). Segundo Luana estudante da UFRA, “nas ruas do Pará o protesto foi pacífico, tendo início as 16h (concentração) e saídas as 18h da Praça do Operário em São Braz rumo ao Entroncamento, onde tudo correu tranquilamente”.

Umas das principais  pautas do movimento era PASSE LIVRE – transporte gratuito – para toda a população, melhoria no transporte público da cidade e a conclusão das obras que paralisam o trânsito dos os dias. Está tramitando pela câmara municipal um projeto, proposto pelo vereador Fernando Carneiro (PSOL), que prevê a implementação do passe livre estudantil, porém entendemos que só teremos vitória se nós, população de Belém, continuarmos a nos mobilizar ocupando as ruas. Belém é uma cidade sem muitas alternativas de saída e entrada, a maior hoje, Almirante Barroso, está com seu fluxo prejudicado pelo BRT, o que causa transtorno para milhares que transitam pela via.

A cerca de 9 anos a passagem em Belém vêm aumentando sem que com isso consigamos observar melhorias nas condições do trânsito e dos veículos comprados pelas empresas. A população que depende do transporte público sequer pode ter direito a desfrutar do lazer e de participar de atividades culturais a noite, pois não tem ônibus circulando 24h e nos finais de semana e feriados a frota é bastante reduzida.

O antigo prefeito Duciomar (PTB) chegou a perdoar uma grande dívida dos empresários do transporte sem que isso tenha refletido em benefícios ao trabalhador que todos os dias enfrenta as péssimas condições do transporte público. O atual prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) sequer aponta uma diretriz eficiente não só para resolver o problema do transporte público bem como para dar melhores condições de vida para a população da capital paraense.

Por esse e por outros motivos nos somamos ao calendário nacional de lutas por entender que não é só uma luta contra o aumento das tarifas mas sim uma guerra pra avançar em direitos e não retroagir para garantir o engordar do bolso dos ricos que são os culpados pelo surgimento da crise econômica mundial que eles criaram porém querem que juventude sem emprego, sem cultura, sem casa e o povo que sobrevive dos “programas sociais” e com um salário mínimo vergonhoso paguem pela crise.

Sabemos, no entanto, que não é apenas o aumento da passagem que impulsiona a juventude a ir pra ação concreta, desde de 2011 os ventos vem mudando, desde as revoluções no mundo árabe, até o Ocuppy Wall Street  começamos a repetir o que foi maio de 1968, a angustia e a necessidade urgente da juventude em ser protagonistas de um novo tempo veio a tona. E agora podemos ver não só que a nossa luta se nacionalizou, ela agora está internacionalizada, a quem chame de Primavera Brasileira. Não atoa, por isso continuaremos a nos mobilizar até que nossas pautas sejam atendidas e convidamos você a se somar nesta quinta feira a mais um grande ato Nacional #contraoaumento e por direitos que será nesta quinta feira, 20 de junho, concentração às 16h na Escadinha da estação das Docas e saída às 18h.

Queremos:

– Redução do valor das tarifas de ônibus a nível nacional;

– Redução para R$2,00 da Tarifa em Belém, seguindo o exemplo de Porto Alegre;

– Melhoria na qualidade do transporte público;

– Passe Livre irrestrito para tod@s;

Também Lutamos por:

– Paralisação das obras de Belo Monte em Altamira, justiça já;

– Não a PEC 37 (que retira do Ministério Público o direito de investigação criminal e restringe a Polícia);

– Cadeia para os corruptos como Renan Calheiros, Jader, Sarney e outros;

– Combater o machismo, o racismo, a homofobia e a saída de Marcos Feliciano (PSC) da comissão de Direitos Humanos e Minorias;

– Da Copa eu abro mão! Investimento nos serviços públicos (Saúde e Educação). Redução das Tarifas, colocar na conta da FIFA.

– Que os ricos paguem pela crise.

 

*Grupo de Trabalho Nacional (GTN) do Juntos, Juntos Pará.

*Coordenadora Geral do DCE-UFPA, militante do Juntos.