Estudantes ocupam reitoria da UNESP por mais permanência

28/jun/2013, 15h36


Por Evandro Oliveira*

Ontem (27 de junho), ainda no período da manhã, a reitoria da UNESP foi ocupada por cerca de 300 estudantes.  A universidade está a mais de dois meses em greve, os estudantes reivindicam melhores políticas de permanência estudantil, que engloba a construção de moradia para os estudantes e restaurantes universitários para todos os campi, inclusive para os “experimentais”, que possuem uma estrutura completamente precária, e também bolsas de critério socioeconômico e extensão, tais medidas garantem, como o nome sugere, a permanência do estudante na universidade, em especial, do estudante pobre, pois é este que terá maior dificuldade para se manter vivendo e estudando em outra cidade, muitas vezes em período integral, o que não o permite ter um emprego de meio período, contando apenas com o auxílio da família para moradia, alimentação, transporte e gastos extras. É absurdo que uma universidade estadual do porte da UNESP, com 24 campi, espalhados por todo o estado de São Paulo, ainda possua uma política de permanência estudantil tão superficial.

Os estudantes também lutam pela democracia na universidade, visto que a participação dos discentes, funcionários e docentes, nos órgãos colegiados e em instâncias deliberativas da universidade, é desigual. A participação dos trabalhadores e estudantes é desvalorizada, mesmo que sejam diretamente afetados pelas decisões tomadas, praticamente não possuem voz dentro da universidade, a exigência é de paridade entre as classes.

Indo além das reivindicações de políticas públicas de permanência e democracia dentro da universidade, há a questão do PIMESP, o programa de “cotas”, entre muitas aspas, idealizado pelo Governo do Estado de São Paulo, se trata de um programa completamente excludente e elitista que vai na contramão das reivindicações sociais, que não atende a nenhuma demanda de inclusão de negros e indígenas na universidade, e mesmo assim, foi aprovado na UNESP, na calada da noite, da maneira mais antidemocrática possível. Os estudantes repudiam o PIMESP, mas não a política de cotas de inclusão, tendo em vista que estas são extremamente necessárias para inserção e autoafirmação dos estudantes negros e indígenas, culminando na diminuição do preconceito étnico.

Tudo isso é reflexo da ação do governo Tucano no ensino superior de São Paulo, a política elitista do PSDB não se importa com a inserção e permanência do estudante pobre na universidade pública, o pobre que já enfrenta diversas barreiras para alcançar a universidade, começando pelo ensino público de base, que é completamente defasado, e indo até o vestibular extramente excludente, ainda sofre com essa política vil de direita, que traça uma serie de barreiras para dificultar a vida do estudante. A greve e a ocupação da reitoria são a expressão clara do descontentamento dos estudantes da UNESP, que não irão tolerar mais essa política absurda do governo, não irão tolerar a falta de auxílio estudantil, não irá tolerar o sucateamento do ensino público, não irão tolerar a exclusão do negro e do indígena da universidade e também não irão permitir que mais um estudante sequer tenha de abandonar o ensino superior, conquistado à duras penas, por fatores socioeconômicos!

A ocupação serviu para pressionar a reitoria a fazer uma reunião de negociação com os estudantes representantes, reunião essa que durou mais de 5 horas e apresentou sim um avanço nas negociações:

1)  Atendimento total da demanda de bolsas (447 BAAE I e 36 Auxílios Aluguéis);

2)  Pagamento retroativo aos estudantes que migraram das bolsas BAAE I, no valor total de 71 mil reais;

3)  Incluir um Plano de Obras específico para permanência estudantil, priorizando a construção de moradia e RU para todos os campi que ainda não têm, no próximo Plano Orçamentário da UNESP;

4)  Aumento da verba para os cursinhos pré-vestibular, com repasse imediato para o 2º semestre;

5)  Garantir que os alunos dos cursinhos pré-vestibular tenham acesso aos laboratórios de informática, RUs e bibliotecas da universidade.

Foi votada então, por volta das 23h30, a desocupação da reitoria. As unidades que foram ocupadas, seguirão ocupadas. As unidades que estão em greve, seguem em greve. Os estudantes da UNESP continuarão na luta, para garantir o cumprimento das promessas da reitoria e exercer pressão também sobre as diretorias.

O Juntos! apoia completamente a greve e a ocupação da reitoria da UNESP, entendemos que a luta da UNESP é a mesma luta da USP, da UNICAMP e também da FATEC,, vamos juntos defender uma universidade pública, de qualidade e para todos, indo contra as reitorias burocráticas e autoritárias, o sucateamento do ensino e a exclusão étnica!

*Evandro Oliveira é estudante da FATEC e militante do Juntos SP

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017