Organizar a rebeldia e fortalecer a luta por outro futuro!

24/jun/2013, 05h01

por Jhuan de Brito*

 

“Sonhar mais um sonho impossível, lutar quando é fácil ceder; vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender (…) E amanhã, se esse chão que eu beijei, for meu leito e perdão, vou saber que valeu delirar e morrer de paixão, (…) e o mundo vai ver uma flor brotar do impossível chão” (Chico Buarque)

Marcha dos 100 mil (17J).

Marcha dos 100 mil (17J).

Os escândalos de corrupção, o pouco efeito das reclamações populares contra os velhos políticos e a lógica excludente dos partidos tradicionais afastam as pessoas, principalmente os jovens, do processo político. Mas, contrariando a suposta ideia de apatia juvenil, mais de um milhão de estudantes e trabalhadores foram às ruas e conquistaram a revogação do aumento da tarifa de ônibus.

Agora, precisa-se de um trabalho duro e paciente. Ainda é preciso lutar pela saúde e educação pública de qualidade, pelo passe-livre, pelos direitos civis das minorias, contra a corrupção, contra a privatização dos espaços públicos e por um novo jeito de fazer política, pois essas lutas possuem um ponto em comum: a necessidade de um mundo novo!

Como diria o filósofo Vladimir Safatle “não queremos uma democracia em processo contínuo, incessante, de degradação, que já nasce velha”¹. Não podemos mais aceitar que as coisas continuem como estão. Mas, o que fazer, então? Os jovens cansados da velha política ensaiam novas perspectivas. Sem saber exatamente onde poderão chegar, sabem por onde precisam começar. Ocupam-se praças, tomam-se as ruas, compartilha-se pelas redes sua indignação. Ainda é difícil dizer como poderá ser o mundo novo pelo qual lutamos, mas sabemos que ele precisará ser radicalmente diferente deste que vivemos hoje. Por isso, rechaçamos a intolerância e clamamos pelo respeito à diversidade; trememos com as injustiças e pedimos mais igualdade; e gostaríamos de poder decretar a paz entre nós e guerra apenas aos senhores.

Em resumo, para que possamos derrotar o atual sistema, bem como seus donos e líderes políticos, sabemos que é necessário organizar um grande movimento de juventude. Um movimento libertário, criativo, anticapitalista, democrático e radical. Como disse Slavoj Zizek, “a juventude já sabe que não vive no melhor mundo possível, e, por isso, tem a permissão e a obrigação de pensar em alternativas, preparar-se para o longo caminho, para enfrentar questões e situações realmente difíceis. Saber o que querem, não só o que não querem”². À medida que lutamos, vamos desenhando a nossa imagem e semelhança ao novo mundo que queremos. Nós do Juntos! Apostamos nesta ideia e deixamos o convite para que mais jovens venham transformar esta utopia em realidade junto conosco.

* Jhuan de Brito é estudante de economia na UFRRJ.

¹ Do texto “Amar uma ideia”, de Vladimir Safatle, publicado no livro Occupy da Boitempo Editorial.

² Do mesmo livro, no texto de Zizek intitulado “O violento silêncio de um novo começo”.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017