PDC 234/11: a “Cura Gay” e Feliciano

26/jun/2013, 11h18

* Eduardo Gomes Pereira

Sabemos que Feliciano não é autor do projeto da Cura Gay. Porém, também sabemos que o presidente controla a dinâmica da comissão, de tal forma que em outras comissões diversos projetos importantes não são votados por falta de interesse. Com Feliciano, tudo que for contra os direitos das LGBTs, dos negros e das mulheres, será votado o mais rápido possível (ele está tentando votar o PDC há semanas!).

O PDC está sendo chamado de cura gay não porque ele institui a cura gay (o que seria um absurdo), mas porque ele autoriza a cura gay, ele torna possível. O PDC interfere na resolução de uma categoria que se organizou autonomamente e decidiu que os conhecimentos dessa categoria e o exercício de suas funções são incompatíveis com algumas visões de mundo. Muitos psicólogos são homofóbicos, mas não podem exercer sua profissão a partir desta homofobia. Seria o mesmo que permitir que um químico utilize determinadas substâncias para formular um cosmético, sabendo que essas substâncias são prejudiciais aos seres humanos.

Porém, e se uma LGBT estiver sofrendo com sua condição e quiser procurar orientação de um profissional? Ela pode e deve procurar um psicológo. Porém este não ira curá-la de uma doença que não existe. Ele fará com que a LGBT entenda que a origem de seu sofrimento não esta na sua orientação sexual ou identidade de gênero, mas na homofobia da sociedade, que tenta fazer com isso pareça algo errado, doentio, pecaminoso.

A resolução do Conselho Regional de Psicologia que proíbe a cura gay e que o PDC tenta derrubar, é uma tentativa dos psicólogos, enquanto categoria, de garantir uma atuação responsável e comprometida com os avanços desta área do conhecimento.

* Eduardo Gomes Pereira é coordenador da Rede Emancipa e militante do Juntos!