Declaração de São Paulo

15/jul/2013, 10h15

I Assembleia Nacional do Juntos
São Paulo, 14 de julho de 2013

O Brasil foi altamente impactado pelas jornadas de junho nas históricas mobilizações de massa que mudaram a situação política do país. O regime político, na figura de suas principais instituições, foi declarado falido pelo povo nas ruas. Os políticos e suas práticas fisiológicas, cheias de vícios e privilégios, são alvo das mobilizações. Abriram-se tempos de indignação e da possibilidade real da ascensão de novas alternativas políticas da juventude, do povo e dos trabalhadores. Já nada será como antes em nosso país. Afirmando os princípios fundacionais e bandeiras de luta do #Manifesto de Goiânia, o Juntos apresenta-se como uma ferramenta de organização das demandas da juventude brasileira.

O Juntos, reunido em Assembleia Nacional, no dia 14 de julho, às vésperas de completar dois anos, apresenta esta Declaração de São Paulo. Consideramos fundamental tomar as demandas que surgiram das ruas e dar um passo adiante, construindo a unidade na diversidade de experiências e lutas que protagonizamos. Após as vitórias das jornadas de junho, quando a juventude e o povo levantaram a cabeça, é preciso constituir a nossa alternativa, uma amálgama dos novos tempos para seguir a luta e conquistar mais. É tempo de organizar nossa indignação!

Apresentamos, aqui, as 6 causas do Juntos uma plataforma a serviço dessas tarefas para orientar a construção de nossas equipes e nossa intervenção para o próximo período.

1) Transporte público, gratuito e de qualidade é um direito! A conquista da queda das tarifas em mais de 70 cidades do país mostrou que a luta por outro modelo de cidade é uma necessidade. O transporte público, garantia do acesso pleno a nossos direitos, precisa deixar de ser objeto das ganâncias e lucros das máfias empresariais. Por isso, lutamos por passe-livre já e defendemos a tarifa zero!

2) Queremos saúde e educação padrão FIFA! A farra de bilhões de reais na construção dos estádios para a Copa e na viabilização dos megaeventos revelou que a prioridade dos governos têm sido garantir os lucros das empreiteiras e das corporações. Ao mesmo tempo, mostrou que é possível inverter prioridades, combatendo a sangria do orçamento federal para os ganhos de banqueiros e empresários, para destinar 10% do PIB para a educação pública já e serviços de saúde pública decentes para a população! Não nos calaremos diante do ataque ao direito à meia-entrada, uma conquista histórica da juventude! Não à “cota” de 40% de ingressos para meia-entrada! Não aceitamos que a direção majoritária da UNE e da Ubes vendam nosso direito em troca do monopólio das carteirinhas! Abertura das contas e investigação já de todos os gastos públicos com as obras para a Copa do Mundo e a Olimpíada! Fim dos privilégios para as máfias da FIFA, da CBF e do COI!

3) Queremos virar do avesso toda a estrutura política! Nas jornadas de junho, construímos uma nova forma de participação política, nas ruas, com as mobilizações. Queremos construir uma democracia real em nosso país, virando do avesso este regime político desmoralizado, onde predominam os acordos entre a velha “partidocracia” falida de Sarney, Renan Calheiros, Feliciano e Bolsonaro! Basta de corrupção! Por uma reforma política que assegure verdadeira e real participação popular na política! Que os parlamentares recebam o mesmo que um professor!

4) Abaixo à repressão policial! Pela desmilitarização das polícias! A repressão, método brutal com que os governos lidam com movimentos sociais e qualquer reivindicação popular, foi contestada pela força das jornadas de junho. Não aceitamos mais a violência contra o povo mobilizado por mais direitos! As Polícias Militares, acostumadas à criminalização da pobreza e ao genocídio da população negra e das periferias precisa terminar! Pela desmilitarização das polícias!

5) Por liberdade, igualdade e respeito! Este regime político falido, que garante os privilégios dos políticos e a manutenção de uma política econômica a serviço dos banqueiros e das corporações, também é comandado pelas figuras que atacam qualquer perspectiva de ampliação dos direitos democráticos no Brasil. Nossa luta é pela garantia de direitos às mulheres, LGBTs e à população negra. Lutamos pela queda de Feliciano, pela criminalização da homofobia e de toda forma de opressão e discriminação, pela garantia do direito ao aborto e pelo fim do estatuto do nascituro, pela garantia de cotas e ações afirmativas em todas as esferas de poder. Basta de violência e discriminação!

6) Pela democratização dos meios de comunicação! A grande mídia atuou colada aos governos no início de nossas manifestações. Éramos vândalos, baderneiros e criminosos, que deveríamos ser reprimidos! A força do levante juvenil e popular que abriu um novo período no Brasil emparedou a mídia. A mudança de discurso de Arnaldo Jabor representa a desmoralização das empresas de comunicação, como a Globo, que sempre estiveram a serviço da classe dominante e de seus negócios! Defendemos um novo marco regulatório para as comunicações no país e as iniciativas de indivíduos e coletivos que se apropriam de importantes ferramentas para a democratização das comunicações. Queremos investigação do escândalo de sonegação da Globo e a revisão de todas as concessões para os monopólios das comunicações! Não aceitamos os ataques promovidos por empresas e governos sobre a liberdade de expressão e comunicação na internet!

Com estes elementos iniciais, nos prepararemos para o novo salto que o Juntos precisa dar. Aprendendo com a experiência que fizemos com milhões de jovens, de todo o país, que levantaram a cabeça, queremos ser uma alternativa cada vez mais sólida e ampla para organizar não apenas os estudantes secundaristas e universitários, mas os jovens trabalhadores indignados de todo o país, que não reconhecem a legitimidade das velhas direções sindicais traidoras e estão dispostos a lutar!

O Brasil é um país imenso e repleto de riquezas econômicas, naturais, sociais e culturais. Somos um povo honesto, trabalhador e lutador! É preciso fazer com que esta riqueza não seja mais apropriada por um pequen,o punhado de indivíduos. É preciso colocá-la a serviço da maioria! Reafirmamos, para além das tarefas que construímos até aqui, a centralidade que daremos para dar voz e vez aos milhões de jovens trabalhadores em seus locais de trabalho, numa nova etapa da que apenas começa.

Queremos ser a voz indignada da juventude, das mulheres, LGBTs, negros, indígenas, jovens das periferias, dos movimentos de cultura e dos cursinhos populares! Queremos ser cada vez mais Juntos! Junte-se! Vamos construir outra sociedade, plena e capaz de realizar nossos desejos e potencialidades. Apenas começamos!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017