Conquista dos estudantes da USP: Rodas retrocede e marca negociação nesta segunda-feira!

19/out/2013, 18h34

A mobilização da USP acaba de conquistar uma importante vitória: a reunião de negociação reivindicada pelo movimento, que havia sido marcada para o dia 25/10, foi antecipada para esta segunda-feira, 21/10, graças a pressão dos estudantes.

A greve dos estudantes e a ocupação da reitoria segue firme há quase vinte dias exigindo democracia na universidade. Desde o início o reitor Rodas tem se indisposto a dialogar com os estudantes, buscando tratar a questão como caso de polícia ao invés de negociar politicamente. No entanto, o pedido de reintegração de posse emitido pela reitoria foi negado pela justiça, que ainda concedeu sessenta dias para que reitor e estudantes entrem em um acordo. Buscando manobrar a situação e fugir da negociação, a universidade propôs a injustificadamente distante data de 25/10 para a primeira reunião. Mas o autoritarismo e a aversão a mudanças da burocracia universitária foi vencida e a reunião antecipada para segunda-feira.

Essa vitória não vem por acaso: ela é conseqüência da incrível força que o movimento estudantil da USP tem demonstrado. Quase quarenta cursos já aderiram a greve e cada vez mais estudantes participam da ocupação. Até mesmo cursos sem nenhuma tradição de mobilização realizaram paralisações, como é o caso da economia e administração. E não apenas na capital a mobilização se mostra forte: no campus de São Carlos os estudantes ocuparam o prédio da prefeitura do campus e fizeram uma paralisação que já conquistou o compromisso da diretoria em respeitar a autonomia dos estudantes e retirar seu processo administrativo contra o presidente do centro acadêmico local. Além disso, já foram realizados dois atos na cidade com milhares de estudantes para dialogar com a sociedade e demonstrar que a luta pela democracia na educação é de todos nós. Por fim, nesta sexta-feira o movimento trancou dois dos três portões da universidade por quase quatro horas, o que sem dúvida foi central para pressionar a reitoria no sentido de adiantar a negociação.

É importante destacar ainda que o movimento enfrenta corajosamente forças poderosas que tentam desestimular a sua atuação. No último ato, ocorrido no dia 15/10, o governador Alckmin acionou a polícia militar para reprimir com violência assustadora o ato que caminhava em direção ao Palácio dos Bandeirantes. Além disso, na madrugada de hoje a diretoria do campus da zona leste que se encontrava ocupada foi reintegrada pela polícia. Mas repressão nenhuma é capaz de conter o ânimo da juventude por uma educação para todos. À semelhança de junho, quando a violência serviu mais para motivar nossa indignação do que para nos calar, o movimento segue forte.

A hora é agora: seguir firme para obter conquistas!

Evidentemente os estudantes sentem a pressão e o cansaço de vinte dias de mobilização. Mas está claro que estamos com vantagem nessa luta e que a reitoria e o governador estão na defensiva. Dado o nível de reacionarismo de ambos, não podemos ignorar a extraordinária força que representa a negação do pedido de reintegração de posse e o adiantamento da negociação para o 21/10. Existe a possibilidade real de que a partir dessa negociação o movimento tenha conquistas históricas. Não podemos desanimar quando a vitória está tão próxima! Se apenas com luta foi possível chegar até aqui, apenas com luta teremos nossa vitória definitiva.

Por isso, convidamos todos a participar das atividades do movimento marcadas para essa semana:

21/10 (segunda): Ato em frente a reunião de negociação, no CRUESP, às 10h
21/10 (segunda): Assembleias de curso
22/10 (terça): Arrastão pela USP e ato em direção ao MASP a partir das 15h
23/10 (quarta): Audiência pública com Rodas em frente a reitoria às 10h
24/10 (quinta): Assembleia geral dos estudantes às 18h em frente a reitoria ocupada
25/10 (sexta): Comando de greve na reitoria ocupada às 18h

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Foto: Guilherme Prado