A Assembleia Legislativa do Ceará está ocupada: Negocia CID

28/nov/2013, 10h33

*Juntos Ceará

Na tarde de ontem, dia 27 de novembro, estudantes, professores e servidores da UECE, URCA e UVA ocuparam a Assembleia Legislativa do Ceará. As universidades estaduais cearenses (URCA, UECE e UVA) já completam quase que um mês de greve e de silêncio por parte do governo do estado que se recusa a discutir as pautas da mobilização.

Mobilização legítima e pautas justas!

O movimento paredista que hoje para a rede estadual de ensino superior do estado do Ceará busca unicamente garantir as condições mínimas para manutenção das universidades. Ressaltamos: as condições mínimas. As três universidades reivindicam concurso para professores, cuja carência somada nas três instituições passa de 600 professores.

Além disso, reivindicamos assistência estudantil básica: restaurante e residência universitária. Nenhum dos campi da UECE do interior dispõe de RUs. A URCA tem uma residência construída mas não funciona. Já a UVA não dispõe de nenhum destes dois aparelhos fundamentais para a permanência dos estudantes de baixa renda na universidade. A situação na UVA é alarmante, segundo dados da própria reitoria três em cada quatro estudantes tem tenda familiar inferior a dois salários mínimos. Esta debilidade sócio-econômica é sem dúvida nenhuma a maior justificativa para que o índice de estudantes que não conseguem concluir seus cursos no tempo adequado seja de 60%.

Apesar de todas estas deficiências o governo parece fazer questão de agredir ainda mais o ensino superior cearense. Neste ano cortou verbas de todas as universidades. Na UVA chegou a cerca de 30%.

Greve já é histórica

Este movimento paredista já tem um caráter histórico. Além da greve ter como pauta principal a garantia de qualidade na educação superior nas universidades estaduais cearenses ela, pela primeira vez na história, unifica a luta dos estudantes, servidores e professores das três universidades. O caso dos servidores é especial. Ela é uma classe que jamais havia entrado em greve e hoje está no protagonismo das lutas.

Na URCA e na UECE os servidores já estão em greve. Na UVA, que é uma universidade caracterizada pelo clientelismo nos cargos administrativos, também teve sua assembleia para deflagrar o movimento grevista. Embora a greve não tenha sido aprovada, a própria realização da assembleia e a discussão dos problemas da classe já são importantíssimas. Inclusive a própria votação foi prejudicada pela pressão que pessoas que ocupam cargos comissionados e da administração superior. A reitoria passou a semana antes da greve fazendo pressão e praticando assédio moral contra os trabalhadores.

Embora com toda esta resistência, pressão e boicote da luta por parte do governo e das reitorias, em especial a reitoria da UVA, a nossa luta avança e ganha o apoio da população. Nas atividades feitas nas ruas, assim como nas entrevistas em rádio, o apoio da população é muito grande.

Assembleia ocupada: Cid a culpa é sua

Porém parece que o governo intransigente e autoritário do Cid Gomes (PROS) não se comove com a situação precária em que estão as três universidades estaduais. Desde o início da greve ele se recusa tacitamente a receber o movimento grevista.

Diante da intransigência do governador o movimento grevista ocupou a Assembleia Legislativa na tarde de ontem (27/11). Ocuparemos a Assembleia até que o governador nos receba em uma audiência e cumpra o preceito mínimo de qualquer gestor público que é escutar o povo.

Nossa intenção não é parar o movimento grevista para que tudo permaneça como está (vontade e “proposta” do governador) e sim termos atendidas nossas pautas. O governador que desde o início da greve se esconde do movimento grevista, entrando e saindo pela porta dos fundos em inaugurações e isolando quarteirões com a polícia para impedir nossa aproximação não pode mais fugir de sua responsabilidade.

Negocia CID!!!