A luta por democracia para vencer o autoritarismo na USP

13/nov/2013, 09h41

*Matheus Trevisan

Os estudantes da Universidade de São Paulo protagonizaram um importante episódio da história do movimento estudantil. Desde o dia 1 de outubro, milhares de jovens construíram uma greve que abalou as estruturas da universidade mais antidemocrática do Brasil, fazendo reacender o espírito das jornadas de junho. A luta por eleições diretas foi o estopim de um movimento que fez valer o sentimento de que a juventude já não se contenta com pouco, já não se conforma em não participar das decisões.

Além disso, a luta dos estudantes da USP, assim como as mobilizações que voltaram a ser rotina em todo o país, enfrenta a resistência dos donos do poder. Mesmo durante o processo de negociação das nossas pautas, a reitoria agia para reprimir o movimento e criminalizar os estudantes mobilizados. Após mais de quarenta dias de ocupação do prédio da reitoria, a tropa de choque da polícia militar reintegrou o espaço e prendeu dois estudantes. Detalhe: esses dois jovens não estavam nem dentro do prédio, ou seja, foram claramente pegos como bode expiatório!

O Juntos! constrói a mobilização da USP desde o primeiro momento e sempre foi entusiasta da ampliação desse movimento. Acreditamos que só mobilizados conseguiremos transformar a estrutura de poder da universidade, tornando-a de fato pública e democrática. Nesse sentido, defendíamos desde o início que o movimento deveria se valer da disposição que nos fez sair às ruas em junho: vencer! Vitórias concretas para terminar de maneira vitoriosa essa disputa, que não se encerra por aqui.

Ainda que o movimento tenha rejeitado um termo de acordo proposto pela reitoria que nos traria importantes avanços sob o ponto de vista da permanência estudantil e do debate sobre a democratização da universidade, consideramos que é vitoriosa a experiência que fez com que os estudantes paralisassem suas aulas para lutar por democracia. Esse acúmulo ninguém nos tira, ainda que muitos setores da utra-esquerda do movimento batalhem conscientemente por uma perspectiva derrotista.

No entanto, se os estudantes da USP se mostram tão combativos quanto os professores do Rio de Janeiro, os petroleiros em luta contra a privatização do pré-sal ou os jovens das periferias revoltados com a repressão policial, a reitoria da universidade cerra fileiras ao lado dos governos e da imprensa na tentativa de reprimir e criminalizar o movimento.

Não podemos permitir que o movimento social, atue ele na universidade ou nas periferias, seja tratado na base do cassetete. Qual é a justificativa para que estudantes sejam presos simplesmente por fazer política? A criminalização da luta da juventude é a clara demonstração de que os poderosos se sentem ameaçados com nossa atuação. É nesse caminho que devemos seguir! A ampliação das lutas populares é a única maneira de virar definitivamente esse jogo.

Que esse mês de novembro, momento em que estamos de luto em memória de todos os Amarildos que morrem todos os dias nos morros e comunidades pobres desse país, seja também um momento de muita luta. Que a juventude que tomou as ruas do país em junho continue fazendo valer sua indignação e revolta, na USP e em todo o Brasil!

Lutar por democracia não é crime! Abaixo a repressão de Rodas e Alckmin!

Nenhuma punição e liberdade imediata para Inauê Taiguara e João Vitor Gonzaga!

Democracia na USP já!

 

*Matheus Trevisan é estudantes de Ciências Sociais e militante do Juntos!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017