#LutoemNovembro no Distrito Federal

26/nov/2013, 13h28

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*Juliana Selbach, Janaína Calu e Ayla Viçosa

A campanha nacional do Juntos “Luto em Novembro” veio para questionar profundamente a situação da população negra no Brasil.

Muito se fala que em nosso país que não há preconceito, ou que as políticas públicas, como as cotas, é que geram o preconceito porque “diferenciam” as pessoas. Infelizmente a situação real é muito diferente da ideal, e os negros são, sim, discriminados.

É só observar nossa sociedade, apesar de os negros serem mais da metade da população, são minoria nas universidades, nos empregos formais e nos cargos eletivos. Mas existe um lugar em que os negros são maioria: nas periferias. Foi lá que foram jogados após a pretensa abolição, que os libertou no papel, mas que, na prática, continuou os escravizando.

Na periferia reina a ausência de políticas públicas e a negação de direitos, e o Estado se faz presente principalmente pela violência policial. A repressão que vemos hoje na mídia, há muito é conhecida pelo povo pobre, que vive cotidianamente essa realidade. As mortes pela ação policial no Brasil atingem uma média de cinco por dia, uma situação inaceitável, que é justificada pelos “autos de resistência”, ou seja, quando o policial declara que cometeu o homicídio por resistência do abordado.

1452591_462941717156736_935233860_nPara denunciar essa situação, o Juntos! realizou uma manifestação na última quarta-feira, 20/11, dia da Consciência Negra, na Praça do Relógio em Taguatinga, Distrito Federal. Fizemos uma panfletagem para esclarecer a população sobre o assunto, e vários companheiros se manifestaram em relação ao racismo, a discriminação e a violência. Quem também se manifestou foi Mc Singelo, do movimento Hip Hop e morador de Samambaia, mandando um improviso sobre esses temas. Grande presença em nosso ato.

Questionamos também as providências tomadas em relação a Antônio de Araújo, auxiliar de serviços gerais, desaparecido no dia 27 de maio deste ano, após ter sido levado por policiais à delegacia de Planaltina-DF, história muito parecida com a do ajudante de pedreiro Amarildo, do Rio de Janeiro. Quantos desaparecidos ainda teremos que procurar, por quantos mortos teremos que chorar?

Mas o principal foi o recado que demos: nossa luta será constante para mudar esse preconceito de cor e de classe que vivemos. O próximo passo é pressionar para que o PL 4771/2012 seja aprovado. Esse Projeto de Lei altera o Código de Processo Penal e prevê a investigação das mortes e lesões corporais cometidas por policiais durante o trabalho, que hoje são registrados como os tais “autos de resistência”.

Esse é apenas um primeiro passo, mas muito importante para a transformação que tanto desejamos.

 

*Juliana é bancária, Janaína é nutricionista e Ayla é estudante de Ciências Sociais da UnB. Todas são do coletivo Juntas!