Nada deve parecer impossível de mudar na Unimontes

03/nov/2013, 18h54

*Juntos Montes Claros

 

Nenhum outro poema descreve tão bem o sentimento que tomou conta dos brasileiros durante as Jornadas de Junho, como ”Nada deve parecer impossível de mudar”, de Bertolt Brecht. Milhares de indignados ocuparam as ruas do país na luta por melhorias na saúde, educação, mobilidade urbana e tantas outras áreas. O povo brasileiro, que era considerado acomodado, provou ser capaz de protagonizar a maior onda de manifestações das últimas décadas do Brasil. O levante juvenil e popular marcou o inicio de um novo tempo. A nova geração de lutadores descobriu que as ruas eram o caminho para conquista de mudanças reais.

 

A onda de manifestações que contagiou o Brasil, também chegou a Montes Claros. Milhares de pessoas saíram às ruas da cidade, dentre elas, muitos estudantes da Unimontes. Infelizmente o DCE da universidade, entidade que deveria representar todos os estudantes da Unimontes, não soube canalizar a disposição dessa juventude para lutar pelas demandas da comunidade acadêmica, tampouco foi capaz de ajudar na mobilização e organização das manifestações fora da universidade.

 

As manifestações de Junho semearam um novo tempo pelas ruas do país. Muitas lutas floresceram nos meses posteriores. Os milhares de indignados que exigiam uma educação padrão FIFA, continuaram em luta nas greves de professores em diversas partes. O momento mais significativo foi à heroica greve dos professores do Rio de Janeiro que chegou a levar 100 mil pessoas as ruas em Outubro. Consciente que essa nova sociedade mais justa e igualitária que defendemos passa pela educação, a juventude entendeu que os problemas dos universitários eram os mesmo que motivaram uma revolta popular de tamanha proporção. Ou seja, a luta das ruas e a luta de dentro do campus é uma só!

 

A chapa ‘’Nada deve parecer impossível de mudar’’, composta pelo coletivo Juntos e independentes, surge da necessidade de oferecer aos estudantes uma alternativa real que não tenha vínculo com a direita e com o governismo acrítico que burocratizou a UNE e a UEE, nem com aqueles blindam o governo federal e fomentam uma indignação seletiva. Acreditamos que a Unimontes não pode analisada de maneira desvencilhada da conjuntura nacional, estadual e municipal. A Unimontes como um espaço político, deve ser parte de todo esse processo. Nossas lutas e sonhos precisam ultrapassar os muros da Universidade, do mesmo modo que os muros não podem ser uma barreira que impeça que o movimento estudantil universitário tome as lutas de fora como referência para as lutas de dentro do campus.
Defendemos um movimento estudantil à altura desse novo tempo, fruto das jornadas de Junho. Somos parte do movimento de democratização que ocupou a USP, Unicamp e várias universidades paulistas. Queremos a democratização da Unimontes também! Somos parte da juventude indignada que antes de Junho já avisava que a maré do movimento estudantil iria virar e por isso compomos a Oposição de Esquerda da UNE. Somos parte da juventude que abaixou à tarifa em várias cidades e conquistou o passe livre em tantas outras.

 

Os estudantes precisam voltar a se sentir representados pelo DCE. Isso só será possível se construirmos uma gestão em permanente diálogo com os estudantes. Nossa proposta é uma gestão participativa e coletiva. Não acreditamos no personalismo da figura do candidato a presidente como solução para os problemas da universidade. Precisamos descentralizar o DCE, consultando os estudantes por meio de Conselhos de CA´s e Assembleias gerais dos mesmos. Só assim uma gestação terá legitimidade e força de mobilização que tenha capacidade de tornar a luta pedagógica, em que aqueles que lutam, também ensinam, sejam eles professores ou alunos.

 

A chapa 3 quer se inspirar no poema de Brecht e inspirar tantos outros para se unirem a nossa chapa. As opressões não são naturais e nós podemos combatê-las. A inércia do DCE não é impossível de mudar e é por isso que colocamos nossa chapa para apreciação. A falta de políticas de permanência do estudante e de ampliação e qualificação da universidade podem ser mudadas. E só a luta muda a vida. Convidamos todos os estudantes para ser parte dessa empreitada que requer, sobretudo, coragem. Dia 7 de Novembro, vote pra mudar, vote Chapa 3!

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