Dizem as paredes, diz o povo: São Carlos em luta

13/dez/2013, 15h31

Djalma Nery e Rodrigo “Pudim” Barreto *

São Carlos vive um momento atípico. Há um conflito deflagrado e explícito. As contradições se aprofundam cada vez mais na tentativa de manter no poder aqueles que por hora o ocupam. Desde o início de 2013, a população, atônita, testemunha ações desesperadas e trapalhadas intermináveis por parte da Prefeitura Municipal, sempre apoiada pela sua base governista na Câmara. Já é uma lista gigantesca que precisa ser sistematizada para que se entenda a dimensão da atual conjuntura da cidade; a dimensão da incompetência e má-fé da atual gestão do PSDB. A cidade retrocede anos-luz.

12 anos depois de uma tentativa frustrada de governo popular protagonizada pelo PT, assistimos a retomada de uma política retrógrada, xenófoba e conservadora – descendente direta (porém travestida) das quadrilhas que então governavam alternadamente São Carlos, com um projeto político pobre, populista e mal intencionado. Cada um dos representantes escolhidos para comandar as pastas do executivo mostram, a sua maneira, os desserviços que o poder público é capaz de prestar a população. Um acúmulo de incompetentes e tendenciosos gestores que trabalham a partir da lógica partidária. A lógica seguida é a do senso comum, dos grandes “é-ventos” vazios e passageiros; da caridade ao invés da construção; da propaganda ao invés do trabalho. Além disso, esse mesmo grupo tem maioria na Câmara, dominando portanto, o legislativo. E para finalizar, o jurídico é inerte. Em outras palavras: 3 poderes e um mesmo patrão.

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A única possibilidade para alterar a correlação de forças é construir o poder popular, e essa alternativa, por ser a única, começa a ser explorada e avança em São Carlos. Podemos tomar por exemplo a última sessão da Câmara Municipal (no dia 10/12/2013), na qual ficou evidente que os ares de junho ainda pairam por São Carlos. A sessão começou com a leitura entediante (de mais de 1h30) de adendos, cessões, subsídios e leis; nesse momento muitas coisas foram aprovadas a toque de caixa. A população presente mal conseguia entender o que estava acontecendo, como se fossemos meros espectadores de uma peça. Nesse pacote acabou sendo aprovado o aumento do subsídio do transporte público, ou seja, mais dinheiro público destinado à empresa Athenas Paulista com base em uma planilha bastante duvidosa na qual não constam o lucro da empresa nem a remuneração de seus diretores.

Durante esse pacato, porém tenso, início, eram raras as aparições de qualquer vereador no plenário. O fato é que acontecia uma grande negociação na sala do presidente da câmara com a presença ilustre do prefeito maestro. Essa negociação tentava inviabilizar a instauração de uma CPI para investigar a licitação dos uniformes escolares, em que há suspeitas de superfaturamento. A já citada CPI foi protocolada com 6 assinaturas, mas ainda não foi instaurada (para isso, são necessárias 7 assinaturas).

Quando finalmente começou o debate no plenário, muitos vereadores mostraram quem representam de verdade e não é o povo. Dentre os pontos discutidos estavam: transporte público e a audiência pública que nunca aconteceu; hospital escola e a privatização da nova UPA do Santa Felícia; a grande fortuna gasta com a decoração de natal; os terrenos que a prefeitura não fiscaliza; os requerimentos que a prefeitura não responde.

A tensão inicial que desenrolou em denúncias e manifestações da população durante a sessão acabou sendo mais um episódio, pós jornadas de junho, de rechaço às negociatas. O recado foi claro, tanto na manifestação do povo durante a sessão como na fala do presidente da câmara, “vocês aí e nós aqui”. Vale ressaltar que todos esses pontos debatidos e esses problemas enfrentados na cidade têm um ponto em comum: a gestão Altomani. Se no início do ano a pauta do transporte era a que aglutinava diversos setores, hoje eles se desmembraram e diversas pautas estão sendo levantadas ao mesmo tempo. A agitação em torno do Fora Altomani pode tomar corpo se soubermos dar vazão ao sentimento que tem crescido na população. Um grande final de ano para o poder público de São Carlo

s, mais uma cidade que passou por um ano atípico dentre muitas do Brasil. E o recado que fica é que no ano que vem isso só será mais intenso.

Os ânimos estão exaltados na cidade, e há um novo ascenso das lutas a vista. Os muros acordaram gritando. São Carlos deve estar em breve na berlinda das notícias políticas e, quiçá, alterar significativamente sua situação. É a dedicação à luta e à organização popular que definirão a história do município e seus habitantes.

São Carlos, 13 de Dezembro de 2013

*Djalma Nery é do Juntos! – São Carlos e militante da pauta socioambiental

Rodrigo “Pudim” Barreto é do Juntos! – São Carlos

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