Apenas começamos

06/jan/2014, 20h38

*Juntos Nacional

2013 não foi um ano qualquer. Uma onda de mobilizações varreu de norte a sul do Brasil o ceticismo e devolveu à juventude a crença na organização e na mobilização popular. Já não somos mais os mesmos.

O JUNTOS esteve desde o nascer deste ano construindo outro amanhã com os indignados da América Latina. Em abril, participamos da Acampada Internacional em Buenos Aires. Fomos 1500 jovens de mais de 10 países construindo uma alternativa política para a juventude que luta e sonha.

Ao longo do ano, fomos parte de inúmeras lutas. Resistimos com os indígenas no Rio de Janeiro pela Aldeia Maracanã. Fomos voluntários, prestamos solidariedade e exigimos justiça na tragédia da Boate Kiss em Santa Maria/RS. Ocupamos os canteiros de obra contra a usina de Belo Monte. Participamos das lutas em nossos locais de estudo por mais democracia, cotas, na defesa de uma educação pública e de qualidade. Nos mobilizamos em todo o país contra Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e em defesa dos direitos das LGBTs. Enterramos a “Cura Gay”. Fomos Vadias, nos posicionamos contra o Estatuto do Nascituro e pelo fim do machismo e da violência contra a mulher. Reivindicamos liberdade para Assange, Mannig e asilo para Snowden. E seguimos firmes nesta batalha na abertura do ano de 2014!

Além disso, exigimos a democratização da informação e dos meios de comunicação. Lutamos contra o racismo nos supermercados, nos trotes universitários, nos shoppings. Fizemos greves com os educadores por melhores salários e condições de trabalho. No Rio de Janeiro, ocupamos a Câmara de Vereadores por educação de qualidade para os filhos dos trabalhadores. Ocupamos Reitorias, Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas por democracia real já! Realizamos assembleias nas praças de inúmeras cidades e uma assembleia nacional. Fizemos Greve Geral ao lado dos trabalhadores. Lutamos por moradia. Sentimos as dores das famílias do Amarildo e do Douglas, e de tantos outros desaparecidos pela democracia. Gritamos pelo fim do extermínio população da periferia e lutamos pela desmilitarização da polícia.

Entre tanta gente e tantas lutas descobrimos uma Copa, e no meio da Copa descobrimos um caminho. E o caminho nos levou às ruas. E assim foi junho. O que começou com uma faísca em Porto Alegre na luta contra o aumento das passagens, serviu de exemplo para o resto do Brasil. Por vários dias, inúmeras mobilizações aconteceram em todos os Estados. Já não eram apenas os jovens, mas toda uma nação indignada. E os motivos já não eram apenas o transporte de péssima qualidade, mas a exigência dos direitos há muito negligenciados. E nossos problemas, que até então pareciam invisíveis, já não podiam mais ser escondidos e os “invisíveis” apareceram. As comunidades das periferias, onde as dificuldades são sempre maiores e as balas do Estado não são de borracha, foram parte importante deste movimento. O Rio de Janeiro, onde as contradições são mais evidentes, foi também o ponto alto das mobilizações, reunindo mais de um milhão de pessoas. A conquista de junho não foi apenas a redução das tarifas no país inteiro. Mas o aprendizado de que a vitória é possível se lutamos juntos e a certeza de que apenas começamos.

Em 2014, as contradições de um país repleto de desigualdades sociais, sediando uma Copa do Mundo, ficam mais evidentes. Já vimos inúmeras famílias sendo removidas de maneira arbitrária de suas casas para a construção de estádios. Obras construídas com trabalho semi-escravo, levando até agora 6 trabalhadores à morte. Não à toa, todos os canteiros tiveram greves. Estima-se que serão gastos mais de 20 bilhões de reais, a grande maioria público. Em contrapartida, o legado prometido de

investimentos em infraestrutura não acontecerá. O que veremos, a partir da Lei Geral da Copa, é o aumento da repressão aos que ousam contestar este modelo de país. Somos parte destes que ousam. Não aceitamos o Brasil verde-amarelo dos megaeventos, das obras faraônicas, dos paraísos tropicais e das promessas não cumpridas.

Está claro que os desafios são muitos. Estamos disputando outro projeto de sociedade. Onde as pessoas sejam mais importantes que estádios. As cidades sejam para todos. As liberdades individuais respeitadas. Os movimentos sociais tenham voz e vez. Que não haja criminalização da cor da pele e endereço. Que a natureza não seja podada pelo lucro. Que tenhamos liberdade de informação e que não sejamos constantemente vigiados. Onde sejamos protagonistas da nossa própria história.

Muito está por vir, e a garantia das nossas conquistas está na continuidade das lutas e na nossa organização. Por isso, realizaremos entre janeiro e fevereiro de 2014, acampadas do JUNTOS por todo o Brasil. Fazemos um chamado a todos os indignados que são parte dessa construção, que não começou em 2013 e nem terminará em 2014, a organizar a sua indignação. Procure uma Acampada mais perto de você. Vem com a gente construir um futuro diferente!

Acampadas Agendadas:

Acampada de Verão – Rio De Janeiro  31 de Janeiro a 2 de Fevereiro (Rio de Janeiro e Minas Gerais)

I Acampada Do Juntos Nordeste 14 a 16 de fevereiro em Natal/RN (convocados todos os estados do Nordeste)

IV Acampada de Verão – São Paulo  21 a 23 de Fevereiro

Acampada de Verão – Sul   21 a 23 de Fevereiro

 

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017