De 1968 a 2014: a mesma imprensa

16/jan/2014, 12h34

* Tássia Lopes

A grande imprensa brasileira mantém a mesma linha editorial de 1968 a 2014 que diz para ter “cuidado com os comunistas”. Os que comemoraram o GOLPE militar de 1964, “Brasil: ame-o ou deixe-o”, que defenderam os inúmeros arrochos que o povo brasileiro sofreu nos anos 90, que defende há décadas banqueiros, ruralistas e oligarcas…

Paulo Freire sempre contrapôs a ideia da neutralidade, coisa que a mídia hegemônica sempre adorou se autoafirmar. Ele dizia “não existe educação neutra, toda neutralidade afirmada é uma opção escondida” e assim como não existe educação neutra, não existe mídia neutra. A neutralidade impressa no Brasil vem sempre com a sombra ideológica mais retrógrada, reacionária e direitista.

A revista Veja é um grande exemplo disso. No dia 14 lançou a coluna de Rodrigo Constantino criticando a doutrinação marxista na UFRN. E o mais ridículo: sabem por quê? Porque haverá um seminário numa UNIVERSIDADE FEDERAL (aquele lugarzinho que se constrói o conhecimento… que se promove pesquisa e extensão nas mais variadas áreas) sobre a teoria marxista, analisando seu método científico e de transformação social.

MEEEEEELDEEEEUUUUSS: Parem o mundo que eu quero descer! Vai haver um seminário sobre Marx numa UNIVERSIDADE e não numa padaria, os pobres jovens estão correndo o risco de CONHECER.

Com certeza, o infeliz colunista esqueceu que hoje é diferente de 1968, que aqueles que leem Marx não vão mais parar no pau-de-arara ou tomar choque nas genitálias e logo podem fazer seminários, reuniões, usar a camiseta do Che Guevara, etc.

Creio que muitos dos que contribuem com a horrorosa linha editorial da Veja sentem saudades de quando o DOPS reprimia aqueles que tinham iniciativas de realizar seminários como esse. Não é a toa que até hoje combatem o ensino de filosofia e sociologia nas escolas em suas páginas, inclusive esse projeto foi proposto pelo deputado federal Izalci (PSDB-DF).

De fato não surpreende. A revista VEJA faz um desserviço ao jornalismo. Ela mente, manipula e é inimiga daqueles(as) que saem às ruas em busca de transformação social. Espero ver novos Junhos derrotarem essa revista. Seguiremos defendendo uma educação libertadora (que não é neutra), seminários como esse que irá acontecer na UFRN e as disciplinas de filosofia e sociologia nas escolas.

* Tássia é estudante de Biologia na Universidade Potiguar e do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos! 

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