Movimento LGBT e a luta contra o conservadorismo político

09/jan/2014, 15h44

*Carlos Augusto Alves

Depois de anos de passividade e despolitização, o meio LGBT vem ganhando forma e força no cenário político. Não poderia ser diferente, já que no Brasil um LGBT é assassinado a cada 26 horas, o que causa uma extrema indignação da classe. Daí surge à importância de se organizar, de se inserir como um militante político. A partir deste ponto, quando a classe se articula e cria um movimento, é necessário pautar e analisar a luta, qual o caminho a seguir. É preciso reconhecer que a intolerância, o patriarcado e conservadorismo – que tem como base de sustentação o capitalismo – enraizados na sociedade são os responsáveis por tamanho ódio contra a classe LGBT. Portanto aqueles que nos discriminam, nos segregam, nos colocam às margens da sociedade e que tentam nos impor uma inferioridade social e jurídica, são os que devemos combater na nossa militância diária.

Nas nossas impressões e concepções, também se faz necessário enxergar os que realmente nos representam no nosso sistema político. No judiciário apesar de termos conseguido a vitória da união estável homoafetiva, é preciso saber que esse é um instrumento burguês, muitas vezes a serviço da classe dominante. No legislativo não é diferente, mais um meio político onde se predomina setores extremamente conservadores, como a bancada fundamentalista, que no ultimou ano tomou a frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Durante esse período ataques não faltaram às minorias, projetos como o da “cura gay” – que tratava de legalizar terapias para reversão da homossexualidade – foram propostos, e quase impostos, pelo presidente da comissão Marco Feliciano e seus aliados. Derrotas, como o enterro do PLC 122 – projeto que visava criminalizar a homofobia – orquestrada também pela bancada fundamentalista e pela inércia de partidos ditos “progressistas”, nos faz analisar quem são os nossos inimigos políticos.

Sem dúvida alguma, a maior decepção do movimento LGBT está no executivo. Foram depositados entusiasmos na perspectiva de que o Estado garantisse os direitos, liberdade e cidadania aos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, no projeto de Governo do PT. Já estamos no quarto ano de mandato de uma presidenta da “esquerda e socialista”. Porém pouco se viu medidas “pró-minorias”, muito pelo contrário, Dilma durante todo esse tempo tem reforçado seu posicionamento ao lado dos setores conservadores da política, tudo por uma “governabilidade”, que vai muito além de não representar a classe LGBT, como também não representar mais os interesses dos trabalhadores. Uma governabilidade que só interessa ao grande capital, a elite – a mesma que não suporta dividir os mesmos direitos com a classe subalterna. Não mais adiantava discursar palavras ao vento, como fez no 1º Fórum Mundial de Direitos Humanos, onde afirmava o compromisso do Governo contra a violência LGBT, Dilma já tinha deixado claro qual seria política de seu mandato ao lançar a “Carta ao povo de Deus” ainda na campanha presidencial de 2010. Uma medida totalmente eleitoreira, que explana bem o que se tornou o PT de hoje. Um partido conciliador, que faz qualquer tipo de acordo para está no poder, até mesmo passar por cima dos direitos da classe LGBT. Dilma mostra que para estar junto, o que menos importa é a ideologia. Por isso é chegada a hora de todo movimento LGBT romper com o petismo, transformações sociais nenhuma virão por meio de reformas do sistema capitalista como propõe o PT.

A emancipação das classes minoritárias será obra nossa, e daqueles que realmente estão na luta conosco. Nunca como antes seguirmos por liberdade. Para fraseando uma companheira de militância, encerro: mas se o pessimismo da razão é inevitável, o otimismo da vontade se impõe, pois a negação é o primeiro passo para a construção do novo.

*Carlos Augusto Alves é militante do  Junt@s pelo direito de amar! e do Juntos! RN

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