Rio 50° | Solidariedade Metrô-Mangueira

08/jan/2014, 17h33

Nem mal começamos o ano de 2014 e a temperatura não para de subir. E mais uma vez a violência policial vem causando indignação aos cidadãos do Rio de Janeiro. Uma manifestação organizada na terça-feira (7) por moradores da Mangueira contra as remoções forçadas de famílias que ali viviam foi reprimida de forma truculenta pela polícia militar.

Como parte do projeto de reurbanização do entorno do complexo do Marcanã tendo em vista a Copa do Mundo da Fifa, essas casas na localidade conhecida como Favela do Metrô começaram a ser desocupadas e demolidas. Entretanto famílias que ali se instalaram foram forçadas a sair, com a auxílio da polícia que permaneceu no local para “garantir a desocupação”. E certamente garantiram, jogando as roupas e os pertences das pessoas no chão da rua.

Houve um princípio de confronto, em que alguns moradores atiravam pedras contra as bombas de efeito moral e o spray de pimenta utilizado pela polícia em cima da população. Algumas pessoas passaram mal, e três foram detidos por desacato. Os cerca de 50 manifestantes afirmam serem arbitrárias as remoções. A prefeitura ofereceu que essas pessoas fossem para um abrigo, pois elas não teriam direito à aluguel social, já que os antigos moradores daquelas casas já teriam recebido. Muitos reclamam que terão que morar na rua.

Os ânimos dos moradores da Mangueira parecem estar entrando em ebulição nesse verão carioca. Esse protesto é o segundo da semana, que se soma ao realizado no último domingo (5), quando moradores chegaram a incendiar um ônibus em protesto contra o aumento da violência na comunidade – que é “pacificada” – e a morte de Wellington Sabino de 20 anos, que segundo eles, era um morador, e não um traficante como afirma a polícia.

Com a proximidade da Copa, mais uma vez vemos um desrespeito à população da cidade em nome dos interesses privados ligados aos mega-eventos, descoupando famílias humildes de áreas de alta especulação imobiliária. E mais que nunca se faz necessário o debate sobre a desmilitarização da polícia no país, que em vez de garantir a cidadania, é uma das maiores violadoras de direitos humanos na cidade maravilhosa. Certamente 2014 vai ser um ano quente!

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