VITÓRIA: Greve geral avança a lutas das universidades estaduais do Ceará

23/jan/2014, 10h09

O mês de junho nos ensinou grandes lições, a principal delas é que os movimentos sociais compreenderam que os governos só atenderão às nossas reivindicações com o povo na rua. O movimento docente, estudantil e servidores das três universidades estaduais cearenses que já tentavam negociar com o governador Cid Gomes havia três anos por melhorias no as universidades tomaram esta lição para si e entraram em greve geral no final de 2013.

O movimento que se iniciou em Itapipoca na UECE no campus da FACEDI em setembro do ano passado, se espalhou por todo o Ceará e aquilo que era uma greve de estudantes em uma cidade do interior do estado e em um campus que possuía apenas três cursos paralisou todo o ensino superior estadual cearense. Em novembro professores, estudantes e servidores também paralisaram suas atividades na URCA, UECE e UeVA.

Cid teimou, mas negociou

O movimento grevista desde o início tinha como principal meta a melhoria na educação superior cearense e a valorização do trabalho dos servidores, talvez por isso esta tenha sido uma greve histórica, que lutava antes de tudo, por uma universidade de qualidade.

Embora a justeza do movimento tenha sido demonstrada desde o início, o governador Cid Gomes tentou adotar para com o nosso movimento uma postura totalmente autoritária falando que não negociava com movimentos grevistas. Embora este discurso tenha sido jogado aos quatro ventos o movimento persistiu e conseguiu avançar de maneira surpreendente.

Conseguimos promover manifestações massivas, denunciar a situação precária da nossa universidade, ocupar por quase dez dias a Assembleia Legislativa do Ceará e conseguimos o apoio de diversas personalidades nacionais e internacionais como Leonardo Boff, Michael Lowy, Esther Vivas, Sergio Lessa entre outros. Nossa greve tomou dimensões grandes que o governador não podia mais tentar esconder e nem tampouco boicotar.

No mês de dezembro foi obrigado a negociar com o movimento grevista e teve que fazer propostas concretas para o movimento grevista. Conseguimos dobrar todo o discurso elaborado pelo governador que se comprometeu a:

1. Regulamentação do PCCV dos docentes: os decretos relativos à regulamentação serão publicados até 31 de janeiro, enquanto os projetos de lei serão enviados à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALCE) até o dia 10 de fevereiro. O presidente da ALCE, deputado José Albuquerque, presente na reunião, se comprometeu a fazer tramitar os projetos de lei o mais rápido que o Regimento da Casa permita;

2. Assistência Estudantil: ficou reafirmado acréscimo de R$ 10 milhões para este setor em cada uma das universidades, disponíveis a partir de 27 de janeiro, com possibilidade de ampliação destes recursos em caso de nova captação de novos fundos pelo Estado;

3. Sobre Concurso para professor: ficou acertada a convocação de concurso para professor no semestre de 2014.1, com editais a serem lançados tão logo o número e a destinação das vagas sejam definidos em seminários a serem realizados nas três universidades. Ficou ainda assumido o compromisso de acelerar o procedimento de forma a se completar o processo de admissão antes dos prazos de proibição constantes na Lei Eleitoral. Na URCA, no caso dos cursos paralisados por falta de professor, o Governo se comprometeu a buscar uma solução imediata, em discussão com a Administração desta universidade;

4. Demandas da FACEDI-UECE em Itapipoca: ficou estabelecido que será realizada uma ampliação do prédio que triplicará a atual estrutura da FACEDI, prevista a climatização, bem como a ampliação imediata de um novo curso, aberta a possibilidade de outros conforme as conclusões dos citados seminários.

Vitórias concretas para as universidades avançarem

No início da greve falávamos que o movimento estava sendo construído devido à enorme precariedade nas universidades e à quase impossibilidade da continuação de suas atividades sobre aquelas condições. UECE, URCA e UeVA estavam na UTI. Nossa luta era então por avanços imediatos que possibilitassem o mínimo funcionamento das universidades.

Neste sentido nossa greve foi amplamente vitoriosa. Pois, tínhamos reitorias, principalmente a da UeVA, que não tinham poder de conseguir mais recursos junto ao governador, e também tínhamos o governador que parecia não se interessar muito pelo avanço das universidades estaduais.

Embora as conquista não tenham sido tudo que almejamos, elas representam para nós um avanço enorme na construção da universidade que queremos. Exatamente porque antes da greve não tínhamos qualquer perspectiva de fazer concurso para professores ou qualquer verba extra para ser investida em permanência estudantil.

Porém estas conquistas podem avançar muito mais com os seminários que serão realizados em fevereiro e temos que agora nos movimentar para estarmos prontos para estes seminários, a greve foi importante, mas temos que sempre compreendê-la como a largada de um período de lutas e não como a chegada. Ela cumpriu seu importante papel de arrancar vitórias e de formar nos movimento estudantil novos lutadores que agora se organizam na construção de uma universidade diferente.

Nós do Juntos estamos muito felizes por que demos nossa contribuição nesse processo e nos comprometemos a permanecer mobilizados para fazer avançar a luta na UeVA e em todas as universidades estaduais cearenses.