Eu trocaria todos os meus títulos pelo fim do preconceito

13/fev/2014, 15h46

* Guly Marchant

“Eu trocaria todos os meus títulos pelo fim do preconceito. Trocaria por um mundo de igualde entre todas as raças e classes.”. O desabafo do meio-campista do Cruzeiro F.C, Tinga, após o jogo contra Real Garcilaso, no Peru, de mais um caso de racismo no futebol. Em quase dois séculos de história, das várzeas às arenas, os amantes do futebol viram pisar nos gramados os mais diversos tipos de jogadores, dos baixinhos Romário e Maradona, gigantes como Lúcio e Peter Crouch (Inglaterra), os cabeludos Biru-biru e Valderrama e o mestre das, quem diria, pernas tortas Garrincha. Porém a pluralidade tanto de jogadores quanto de torcedores não conseguiu superar o preconceito.

O caso dessa quarta-feira, 12, é mais uma triste e revoltante episódio que não se restringe à Libertadores. O Brasilerão, os campeonatos estaduais demais campeonatos mundo a fora reproduzem cenas como esta. Os absurdo chegam a tanto que há uma torcida declaradamente facista, a do Lazio (Itália). Como um dos esportes mais populares do mundo o futebol expressa em diversos momentos comportamentos e opiniões presentes em muitas sociedades, por isso, serve também com termômetro para identificar os comportamentos da sociedade em que o clube está associado. Isso nos ajuda a compreender outros casos de racismo na libertadores como do jogador Grafite, em 2005, os comportamentos racistas recorrentes em torcidas da serra do Rio Grande do Sul e o crescimento das torcidas facistas nos países europeus.

Todavia, compreender não significa que temos que ser tolerantes. O racismo é considerado crime em diversos países e devemos exigir que todo ato desse teor seja recriminado e os reprodutores responsabilizados. Assim, o futebol sendo um reflexo da sociedade, o combate do racismo dentro dele pode render resultados positivos. As manifestações de apoio a Tinga realizadas pela torcida e pelo presidente do Atlético Mineiro demostram a grandeza desse debate, que supera as barreiras da rivalidade no campo. Infelizmente, as ações contra esse tipo de comportamento muitas vezes não passam de manifestações de repúdio e apoio.

O Fairplay resume-se a uma faixa e torcidas e jogadores seguem reproduzindo o racismo sem responder pelo ato. As punições são realizada pelas leis internas de cada país, as confederações se isentam fingindo não ser de sua responsabilidade. O sentimento das confenderações segue o pensamento de que o futebol não exerce um peso nos comportamentos sociais e segue-se gritando: macaco, bicha, quando não a mãe de alguém. Por que punições de interdição do estádio não são aplicadas nesse caso? Por que jogadores com comportamentos racistas não são suspensos de jogos? Não podemos seguir tratando comportamentos racista, e também machista e homofóbicos, como atitudes naturais. Pelo fim do racismo nos campos #SomosTodosTinga.

* Guly Marchant é estudante de Jornalismo da UFRGS, da setorial de Negras e Negros do Juntos e militante do Juntos! RS