Juntos: lugar da juventude é nos piquetes ao lado dos trabalhadores!

05/fev/2014, 21h08

Por Júlio Câmara*

Juntos e rodoviários!

Desde o dia 27 de janeiro, os trabalhadores rodoviários estão protagonizando uma greve histórica em Porto Alegre. São 10 dias em que os trabalhadores resistem contra os ataques dos empresários, prefeitura e grande mídia.

A greve é o último recurso dos trabalhadores em busca de negociação com os patrões para poderem apresentar suas reivindicações compostas por reajuste salarial, aumento no vale alimentação, redução da jornada de trabalho, manutenção do plano de saúde sem desconto no salário, fim do banco de horas entre outras coisas sem aumento no preço da passagem.

"MIR"

A organização dos trabalhadores e o apoio da juventude que há mais de um ano ocupa as ruas na luta por um transporte público de qualidade gera ataques raivosos dos grandes empresários e da mídia tradicional. Eles não aceitam que trabalhadores, com o apoio de estudantes, digam não à farra que as empresas de ônibus fazem na cidade.

Há mais de 25 anos, as empresas de ônibus atuam na ilegalidade pois não passaram por um processo licitatório. Durante todo esse tempo, aumentaram a passagem acima da inflação mas nunca subiram o salário dos rodoviários na mesma proporção. Contas nunca foram prestadas para a população. Trata-se de uma parceria criminosa entre empresários e prefeitos que arrancam milhões do povo em troca de um serviço de péssima qualidade que não condiz com o valor cobrado.

Juntos no piqueteAmanhã será o 11º dia de greve e também o 11º dia que os militantes do Juntos! amanhecerão nas garagens, prestando apoio e solidariedade aos trabalhadores que sofrem ameaças para serem pressionados a trabalhar desrespeitando a decisão unânime da última assembleia da categoria.

Estamos em um ano chave para o Brasil, onde as contradições do sistema se acirrarão no país onde milhões de reais são investidos em estádios de futebol e pouco se faz para melhorar o caos instaurado na saúde, educação, transporte e segurança. As jornadas de junho de 2013 mostraram que a luta muda a vida e que trabalhadores e estudantes precisam construir uma saída coletiva que questione os lucros milionários que poucos arrancam do suor de muitos e exija dignidade para o povo pobre.

*Júlio Câmara é estudante de Jornalismo da UFRGS, membro do Grupo de Trabalho Nacional e militante do Juntos! RS