Não vão calar nossa voz! Não ao aumento das tarifas!

14/fev/2014, 00h11

*Maycon Bezerra

O ato de hoje no centro do Rio de Janeiro, belíssimo, foi a expressão da disposição de luta do movimento juvenil-popular e a comprovação de que a ofensiva demagógica, e anti-democrática da grande mídia empresarial não surtiu o efeito por eles planejado. Depois de passar a semana explorando, de modo agressivamente sensacionalista, a morte do cinegrafista Santhiago Andrade, e promovendo uma armação voltada a envolver os supostos autores do homicídio com Marcelo Freixo e com o PSOL, de modo a criminalizar o parlamentar, o partido e o conjunto da esquerda socialista, as Organizações Globo e seus aliados, nos três níveis de governo, tiveram a devida resposta: povo na rua!

Um enorme aparato repressivo foi deslocado e, desde a concentração na Candelária, estava claro que o movimento não cederia a provocações de uma Tropa de Choque, armada até os dentes, que fazia questão de se posicionar “nos calcanhares” dos ativistas. Na base de muito entusiasmo, e alguma apreensão, pois sabíamos tudo o que estava em jogo, o ato saiu da Candelária e invadiu a Av. Presidente Vargas, fazendo ecoar nossas palavras de ordem que encontravam a simpatia da população. Aproximadamente 3 mil manifestantes deixamos claro que não vamos aceitar o aumento criminoso das tarifas de ônibus e nem vamos ceder à intimidação dos governos e da mídia da classe dominante.

Em frente ao Panteão de Caxias e à Central do Brasil, onde Santhiago Andrade foi mortalmente ferido pelo artefato explosivo na semana passada, a marcha passou silenciosa em homenagem à sua memória . Assim como Santhiago Andrade, foram lembradas outras vítimas fatais da irracionalidade imposta por um regime incapaz de atender as mais mínimas reivindicações populares. Santhiago… presente! Amarildo… presente! Gritamos a plenos pulmões. Das janelas dos prédios vizinhos vinham acenos, saudações e luzes piscando, que demonstravam o apoio de um povo que não parece mais disposto a aceitar, de imediato, a “verdade” imposta pelos “donos do poder”.

Nossa marcha seguiu sem incidentes nem problemas até a frente do prédio da prefeitura do Rio, onde se dispersou depois de deixarmos claro que amanhã vai ser maior. A militância do Juntos fez questão de lembrar que segue “fechada com Freixo” e que nosso camarada-deputado não enfrentará sozinho a intolerância reacionária e os ataques dos representantes políticos e midiáticos da classe dominante. Seguimos nas ruas, não pelo vil metal, que tanto fascina nossos inimigos, mas pela certeza de que nada é impossível de mudar. Sabemos que podemos derrotar o aumento das passagens, como fizemos no ano passado, e que podemos construir um futuro de justiça, dignidade e democracia real. Para isso nos manteremos nas ruas, alargando as fronteiras do possível.

O êxito do ato de hoje estabelece um marco. Não puderam nos derrotar. Mesmo a avassaladora ofensiva midiático-governamental não foi capaz de virar o jogo contra o movimento juvenil-popular e a favor da classe dominante. Mostramos que o caminho das ruas segue aberto, e seguirá sendo ocupado. Hoje o ato foi belo, forte e, acima de tudo, corajoso. Amanhã vai ser maior! Não vão calar nossa voz! Se a passagem não abaixar, o Rio continuará a ser parado pela luta popular!

*Maycon Bezerra de Almeida é professor do IFF, militante do PSOL e apoiador do Juntos!

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017