Nenhuma calúnia nos tira das ruas

23/fev/2014, 17h47

*Por Juntos Nacional

Nossos noticiários continuam a ser tomados por reportagens de manifestações, de greves de setores, de protestos daqueles que aprenderam com as jornadas de junho de 2013 que só a luta muda a vida e que ainda temos muito pelo que lutar e conquistar.

A trágica morte do cinegrafista da Band foi utilizada pelos conservadores do Governo como o argumento para a ofensiva na repressão às manifestações, expressa na tentativa de aprovar a absurda Lei Antiterrorismo. Este Projeto de Lei pode enquadrar todo tipo de manifestante como terrorista, desde um militante do MST até um Rodoviário que vai às ruas lutar contra o lucro dos empresários.

Nessa ofensiva de conter as manifestações assistimos por dias e dias e repetidas vezes a tentativa de ligar os responsáveis pela morte de Santiago à principal expressão da luta contra a violência do Estado no Rio de Janeiro, o Deputado Estadual do PSOL Marcelo Freixo.

Nas eleições de 2012 Freixo foi a expressão da ressignificação da política, sua campanha a Prefeito enfrentou, com muita militância nas ruas, o enorme aparato da velha política expresso na campanha de Eduardo Paes. Sua história de luta nos Direitos Humanos e contra as milícias rendeu até inspiração para filme, o “Tropa de Elite 2”. E, tal como no filme, a atuação do Deputado e do PSOL são uma ameaça para aqueles que querem continuar a governar a favor dos poderosos. Por isso Freixo foi o alvo, mesmo que não houvesse provas que apontassem a ligação com o Deputado.

Na verdade a ligação que ficou comprovada foi a ligação de Freixo com a voz indignada das ruas, com aqueles inúmeros que vão da intelectualidade à juventude militante, passando ainda pelo meio artístico. Foram milhares que fizeram questão de exibir nas redes, nos jornais e nas colunas sua #LigaçãoComFreixo. E foram tantas ligações com Freixo que a mesma mídia, que de maneira covarde e mentirosa o atacou, teve que ceder um espaço em seu principal jornal televisivo, o Jornal Nacional, para cobrir o ato de desagravo a Marcelo Freixo.

O ato foi um sucesso enorme, defendendo não apenas Freixo, mas as jornadas de Junho, o PSOL e o conjunto dos movimentos sociais. A presença de Caetano Veloso, Luis Eduardo Soares, Ivan Lins, Luciana Genro, Gregório Duvivier, Randolfe Rodrigues, entre várias lideranças políticas e da sociedade civil, expressou o tamanho do apoio aos movimentos que combinam Junho com a chamada Primavera Carioca.

O Brasil de 2014 vive o aprofundamento do escândalo da oposição entre as péssimas condições da saúde, do transporte e da educação, com os investimentos bilionários na realização da Copa da FIFA. Os estádios do padrão FIFA escancaram essa cruel contradição. São quase 9 bilhões investidos nos estádios. Agora, por exemplo, em Porto Alegre o Estado vai gastar mais 30 milhões para cobrir as chamadas “estruturas temporárias”. Um verdadeiro assalto aos cofres públicos. Porque tem dinheiro para a Copa e não para a Saúde, para o Transporte e para a Educação?

Uma recente pesquisa contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) junto ao Instituto MDA revelou a enorme insatisfação social com os gastos exorbitantes da Copa. Realizada entre 9 e 14 de fevereiro, a pesquisa revela que 80,2% discordam do gasto em estádios. É essa indignação e insatisfação popular que levou, leva e levará a população às ruas.

Como se não bastasse estes absurdos, Dilma acaba de anunciar o corte de 44 bilhões do orçamento (ou seja, em saúde, educação, áreas sociais, etc) para pagar a dívida pública.

A resposta apresentada pelo Governo de Dilma não é atender às justas reivindicações, mas é mais e mais repressão às manifestações. Tal como vimos na manifestação do dia 22 em São Paulo, em que houve centenas de prisões arbitrárias, com enorme truculência da PM com agressões, socos e chutes. Para garantir os interesses econômicos privados ligados à Copa vale tudo. O Projeto de Lei Anti-Terrorismo sintetizado como o AI-5 Padrão FIFA é uma expressão dessa resposta. O objetivo é criminalizar todo e qualquer movimento que seja uma voz indignada, que reclame dos gastos com a Copa, e peça mais saúde ou mais educação. E sabemos que não é a intensificação da repressão que resolverá os problemas que levaram milhares a lutar pelos seus direitos.

Por isso àqueles que tentam nos calar a força, as ruas continuaram a ser nossa resposta. Não nos intimidarão, temos um presente de luta para um novo futuro construir! O exemplo dos rodoviários de Porto Alegre, da greve das Fatec e Etecs, das mobilizações contra o aumento das passagens em várias cidades, devem contagiar a juventude. Estamos nessas lutas, preparando a grande jornada de março, a “Semana Edson Luis”, para evitar o novo AI-5.

Não sairemos das ruas!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017