Polícia na escola e a educação que nos violenta
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Polícia na escola e a educação que nos violenta

Há tempos questionamos o papel da polícia militar no Brasil. Desde os abusos nas manifestações, com repressões e prisões arbitrárias, até as mortes injustificáveis, como a de Douglas e Amarildo.

Fabiana Amorim 17 fev 2014, 14:21

*Fabiana Amorim

Há tempos questionamos o papel da polícia militar no Brasil. Desde os abusos nas manifestações, com repressões e prisões arbitrárias, até as mortes injustificáveis, como a de Douglas e Amarildo. A desmilitarização nos parece urgente. Porém, com as imagens chocantes que vieram de São Simão (SP) essa semana, passamos a questionar não somente a que(m) serve a Polícia Militar, mas também, a escola. Após uma suposta confusão, acusa-se um aluno do oitavo ano ter ameaçado e “aterrorizado” alunos e professores por ter tido o seu cartão de memória roubado. A direção da escola chamou então a PM, que apreendeu NOVE estudantes, de 11 a 17 anos. Segundo a direção da escola, as crianças e adolescentes estariam realizando “vandalismo e quebra-quebra”, e segundo a justificativa do Capitão Maurício Tavares para tais prisões e agressões, as crianças “têm índole violenta. É preciso cuidado. As pessoas podem se machucar gravemente”. Não, Capitão, não somos violentos. Somos violentados. E somos violentados todos os dias com a precarização contínua da educação pública no nosso país. De escolas precárias, educadores desvalorizados, aulas que tão pouco nos fazem sentido, porque o futuro sempre parece muito incerto para nós. Somos violentados com a criminalização da juventude pobre, que é acostumada desde sempre, com a violência. O que aconteceu em São Simão, infelizmente, não é um caso isolado. Em diversas escolas do país a PM é continuamente chamada para conter brigas e ameaças de revoltas. As semelhanças das escolas com presídios, não é mera coincidência. As públicas são também conhecidas como “depósitos de marginais”. Grades, cadeados e repressão. Não nos dão respostas para aquilo que angustiamos e então, é isto que nos sobra. A urgência de lutar por uma escola pública de qualidade é tangente. Uma escola democrática, onde os estudantes se sintam parte dela. Se revoltem, se descubram, descubram o mundo, e possam enxergar naquele local o seu futuro. E para isso, estaremos Juntos!

*Fabiana Amorim é militante do Juntos! e diretora da UBES pela Oposição de Esquerda


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