A 100 dias da Copa do Mundo

07/mar/2014, 09h36

O Carnaval é uma das maiores festas populares do mundo. Durante dias as ruas são tomadas por cores, fantasias, danças, blocos e músicas. Mas em 2014 as ruas também foram tomadas por luta. Contrariando a parasitária direção do sindicato, a comovente e inspiradora greve dos Garis do Rio de Janeiro trouxe ao Carnaval a força da mensagem: só a luta muda a vida. Com faixas que carregam os dizeres “O Prefeito (Paes) quer fazer a Copa/ Os Garis querem fazer as compras”, a greve desses trabalhadores e trabalhadoras escancara a contradição do país que tem como prioridade de investimento sediar megaeventos, como a Copa do Mundo.

 
A “Copa das Copas”, como diz a Presidenta Dilma, pode render à FIFA mais que o dobro do que ganhou na Alemanha e quase 40% a mais que na África do Sul em 2010. Segundo uma projeção feita pela BDO (Empresa de auditoria e consultoria especializada em análises econômicas, financeiras e mercadológicas) a FIFA poderá ter a maior arrecadação de sua história: US$ 5 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões). Mas para garantir o evento não é nem a entidade e nem o setor privado que estão pagando a conta e assumindo as responsabilidades em sua maioria. A lógica da Copa da FIFA é a seguinte: o evento é privado, o gasto é público e o lucro é privado. Sem contar que para sermos sede devemos aceitar que as regras são ditadas pela dona da festa: a FIFA, ou ninguém se lembra da absurda Lei Geral da Copa? O governo assume o risco e os patrocinadores é que vão receber os benefícios.

 

Estudos apontam que cerca de R$ 28 bilhões dos gastos em projetos do Mundial, apenas R$ 5,6 bilhões são da iniciativa privada, cerca de 20%, ou seja, os restantes 80% são gastos públicos. A 100 dias do inicio do Mundial o governo brasileiro é apresentado como o maior gastador de verbas em Mundial de Futebol. Tudo isso em nome de um evento que deve beneficiar principalmente, ou apenas, a iniciativa privada. As obras de infraestrutura urbana propagandeadas como o grande legado do evento poucos viram até agora. Isso porque houve uma redução nos investimentos programados para a infraestrutura e maior atenção a estádios. E se nos perguntarmos como andam as previsões de gastos nas áreas sociais (educação, transporte, saúde, etc) para 2014, vamos nos lembrar do corte de 44 milhões anunciado pelo Governo.

 

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Na Copa da FIFA o povo está no banco de reservas: ingressos caros, gastos públicos com lucro privado, violações aos direitos humanos e ataques à democracia. A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) em parceria com a ONG Conecta divulgou em maio do ano passado um cálculo que apresenta que mais de 200 mil pessoas estão sendo despejadas arbitrariamente de suas casas por causa de obras para os preparativos da Copa em todo o Brasil.

 
No ano que marca os 50 anos da Ditadura Civil-Militar no Brasil assistimos a repressão violenta do Estado e propostas de Projetos de Lei que nos remetem aquele período. O Projeto de Lei Anti-Terrorismo é prova disso, sendo quase uma repetição histórica, um AI-5 Padrão FIFA. Tal projeto volta-se contra o conjunto dos movimentos sociais, abrindo brechas para uma criminalização descontrolada. Os atos que questionam os gastos com a Copa estão sendo duramente reprimidos, a exemplo do ato em São Paulo em que quase 300 pessoas foram presas. No início do mês, Cardozo, Ministro da Justiça, se reuniu com o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e declarou que pretende nacionalizar a experiência tucana no estado. PT e PSDB estão aqui cada vez mais parecidos quando se trata de reprimir as manifestações populares.

 
Os governos não deram respostas às reivindicações que levaram o povo às ruas nas Jornadas de Junho, ou melhor, continuam respondendo às reivindicações políticas com mais e mais repressão e criminalização. Da nossa parte continuaremos nas ruas apoiando às lutas dos estudantes por educação Padrão FIFA, como a greve das FATECs e ETCs, a luta contra o aumento da passagem em Porto Alegre, e a luta dos trabalhadores, como a greve dos Garis do Rio de Janeiro. Para virar do avesso o sistema político vamos aos bairros, escolas, universidades construir o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Com a Semana Edson Luís vamos construir uma jornada de lutas que colocará um fim às leis restritivas e ao AI-5 Padrão FIFA. Vamos lutar pelo direito à manifestação para construir a Democracia Real em que o povo não ficará no banco de reservas.

 
Grupo de Trabalho Nacional do Juntos

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017