Acampada de Verão do Juntos! Centro-Oeste: organizar a indignação no coração do Brasil

06/mar/2014, 20h20

*Isa Nascimento, Janaína Calu, Paola Rodrigues, Rodolfo Mohr e Jeferson Oliveira

foto3 Uma legião de jovens realizou a Acampada do Juntos Centro-Oeste, entres os dias 21 e 23 de fevereiro, no Parkway, nos arredores de Brasília/DF. A diversidade de sotaques e rostos deram o colorido no final de semana de tempo fechado, com chuva. Muita integração, debates, oficinas, compartilhamento de ideias e sonhos fizeram parte da Acampada, que reuniu 70 jovens, do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Os acampados, vindos de cidades do Distrito Federal, como Samambaia, Gama, Guará, Ceilândia, Planaltina, Taguatinga, Brasília, Jardim Botânico, Colorado, Brazlândia, Montes Claros/MG e Goiânia/GO, dedicaram-se a pensar em como virar o Brasil do avesso. Como combater a nossa sociedade machista e patriarcal? Como transformar a realidade das escolas? Como unificar as pautas do movimento estudantil universitário? E como unir tudo isso para a transformação, que tanto queremos, da nossa sociedade? Para responder a essas questões, a Acampada Centro-Oeste contou com três convidados especiais: Iata Mendonça, do Juntos! do RJ, Cindy Ishida, de São Paulo e do Juntos! nas Escolas, e Camila Souza, Diretora de Universidades Públicas da UNE e do Juntos! Universitários. Todos juntos conseguiram, em um só tom, apontar para onde devemos ir. Diante de tanta luta, parece que os limites entre 2013 e 2014 ficaram quase imperceptíveis.

Oficina Juntas! e Juntos! LGBT - Esquetes de Gênero e Sexualidade

Oficina Juntas! e Juntos! LGBT – Esquetes de Gênero e Sexualidade

Uma das grandes atividades do encontro foi a oficina organizada entre o Juntas! e o Juntos! LGBT. A proposta era de sensibilizar os participantes a partir de cenas do cotidiano, apresentadas em forma de esquetes teatrais, utilizando a metodologia do Teatro do Oprimido e de estatísticas de violência e morte entre mulheres e homossexuais. Tudo isso para demonstrar o quão naturalizadas ainda estão as opressões em nossa sociedade. A atividade nos permitiu perceber o grande desafio que é debater as diversas opressões de gênero e sexualidade. A necessária e essencial luta contra as opressões começando da desconstrução interna de preconceitos, a diferença discrepante entre identidade de gênero e orientação sexual, o sexismo que nos é ditado, mesmo antes de nascer, e que nos limita e restringe, a questão de como a linguagem está em prol do pensamento dominante e opressor, como as mulheres são oprimidas por meio de assédios do trabalho ao transporte publico, de casa ao estádio de futebol, foram algumas das reflexões que chegamos ao fim na oficina. Dessa forma percebemos a necessidade de nos organizar, a importância do respeito de nossas individualidades dentro de uma coletividade, a importância do coletivo para nos fortalecer e que Junt@s lutaremos por uma sociedade livre de opressões e, de fato, igualitária! foto mesaO debate sobre o “direito à cidade”, reivindicado pelos milhares de jovens das periferias do Brasil, através dos “rolezinhos” nos shoppings centers, foi central para pensarmos o Brasil que queremos construir. Um país sem privilégios e sem discriminação por cor, gênero ou condição social. Um Brasil que repense seu modelo de segurança pública e que não use a “guerra às drogas” como uma desculpa para prender e matar o negro, pobre e da periferia. Um Brasil que enfrente à dominação da mídia por parte dos empresários e políticos e que de fato democratize o acesso à cultura, tanto do lado da produção quando da distribuição. Não temos como enfrentar o problema da opressão e exclusão da maioria da sociedade, se não tivermos uma mídia livre, que possa noticiar os fatos como são e não pautados por interesses políticos e econômicos. A nossa luta de transformação da sociedade não pode permitir também que seja aprovada uma lei antiterrostismo que queira criminalizar os movimentos sociais e a nossa liberdade de expressão. O ato de protestar não pode ser usado para que nos rotulem de terroristas. O nosso país não pode estar a total serviço da Copa do Mundo. Mais que polêmica, essa é uma lei de ocasião que busca punir aqueles que atentarem contra o patrimônio público durante o megaevento. Querem-nos fora das ruas, mas permaneceremos juntos nelas! stencil Através de boas discussões, da arte, da música e da dança, construímos uma forte acampada do Juntos! no Distrito Federal, de onde saímos conscientes da nossa ação do presente. A oficina de Direitos Humanos no último dia do encontro nos mostrou como nossas leis são facilmente violadas no cotidiano e que para fazer valê-las, precisaremos de muita mobilização e pé na rua. Não só para reivindicar o “direito de termos direito”, mas para conquistarmos muito mais. musica Fique atento à nossa próxima chamada. Seguimos juntos!

A coragem é contagiosa!

 *Isa Nascimento é estudante de Gestão de Políticas Públicas da UnB, Janaína é nutricionista e do Juntas!, Paola é jornalista, Rodolfo é jornalista e do GTN do Juntos! e Jeferson Oliveira é estudante de Direito da Uniplan.