Juntos pra virar a USP do avesso!

31/mar/2014, 00h00

A luta dos estudantes da Universidade de São Paulo por democracia ganhou as páginas dos jornais ano passado por sua força, amplitude e representatividade. O movimento estudantil conseguiu com que o reitor mais antidemocrático da história recente da USP terminasse sua gestão desmoralizado e politicamente derrotado. Nesse ano de 2014, a nova gestão da reitoria se colocou diante de todos como entusiasta do diálogo. No entanto, o que temos visto são cortes de gastos que atingem o ensino e a pesquisa e nenhuma solução para a interdição do campus da EACH (USP Leste). É nesse cenário que nos dias 8, 9 e 10 de abril os estudantes vão às urnas para escolher a próxima gestão do DCE.

A luta por democracia tem que continuar!

Sabemos que a crise orçamentária pelo qual passa a USP é uma herança maldita da reitoria de João Grandino Rodas, que não apenas gastou rios de dinheiro com a construção de edifícios luxuosos como também engordou a burocracia universitária ao centralizar todas as decisões administrativas em seu gabinete. Foram criados centros de difusão internacional da USP em lugares como Cingapura e Londres ao mesmo tempo em que vários cursos sofriam com a deterioração da estrutura de seus prédios. Não há dúvida de que Rodas pendurou seu retrato na galeria dos piores reitores da história da Universidade de São Paulo.

Contudo, o que está por trás desse e de muitos outros problemas da USP é a completa falta de democracia na condução da gestão da universidade. Não apenas o reitor é escolhido a dedo pelo governador sem que a opinião da imensa maioria da comunidade universitária seja levada em conta, como também o estatuto que rege a universidade é ainda do tempo da ditadura militar! A realidade é que os estudantes não podem escolher seu reitor e não são consultados sobre quais devem ser as prioridades da administração da USP, uma falta democracia que o movimento estudantil já mostrou não tolerar mais.

Foram milhares os estudantes que participaram das mobilizações em 2013, dentro e fora da USP. Os que participaram da greve em seus cursos protagonizaram um capítulo importante na história do movimento estudantil ao mostrarem que a falta de democracia é algo que atinge e prejudica a realidade de todos os institutos. A eles se soma toda uma nova geração de calouros que entram na universidade marcados pelos novos ventos de indignação que sopram por toda parte, exigindo participação e rechaçando as velhas estruturas. Se a necessidade de lutarmos pela democratização da USP só aumenta, maior ainda é a disposição que devemos ter para pôr abaixo a concepção elitista e autoritária que dá a tônica da reitoria. Temos convicção para acreditar que os estudantes não têm motivo algum para confiar na gestão de Zago. Só a organização independente do nosso movimento será capaz de nos trazer vitórias. Só a participação de todos é capaz de inverter essa lógica!

Um movimento estudantil de todos pra virar a USP do avesso!

Nessa eleição, temos a oportunidade de afirmar um perfil amplo, democrático e combativo para o DCE da USP. Nossa entidade estudantil pode avançar ainda mais para que nossas lutas nesse novo período sejam vitoriosas e garantam conquistas que façam a diferença no cotidiano dos estudantes e ampliem radicalmente nossa participação e protagonismo na decisão dos rumos da universidade. Por isso, nós do Juntos! construímos a chapa “Para Virar a USP do Avesso” ao lado de centenas de estudantes porque acreditamos na força de um movimento estudantil que seja construído por todos. Um DCE independente do governo e da reitoria, autônomo e democrático.

Diante das contradições que surgem pela falta de democracia na universidade, o debate entre as chapas que disputam essa eleição para o DCE revela de forma clara que nem todas estão dispostas a construir um movimento amplo pela democratização da USP. Neste ano, mais uma vez, os setores ligados ao que há de pior na direita conservadora brasileira e em seus partidos se apresentará nas eleições com o objetivo de acabar com a autonomia e a independência histórica do DCE mais importante do Brasil. São os remanescentes das chapas “Reconquista”, “Reação” e “É USP então”, derrotadas sucessivamente em eleições passadas.

Sabemos que para fazer frente às ideias da direita, teremos de enfrentar também, por um lado, a estreiteza política de pequenos setores da ultra-esquerda que afasta os estudantes e conduz o movimento estudantil a sucessivas derrotas e, por outro lado, o imobilismo de setores atrelados ao governo federal. Afinal, em ano de Copa do Mundo e protestos de rua, a quem interessa um DCE estático e pouco mobilizador?

Nesse sentido, muito nos anima a construção de uma chapa tão plural como a “Para Virar a USP do Avesso”, de longe a maior e mais representativa nesse processo eleitoral, com presença na capital e interior. Somos mais de 500 envolvidos nesse movimento, numa maioria de estudantes independentes e em unidade com outros coletivos com quem muito nos orgulha ter atuação conjunta. É motivo de muita alegria para nós que, entre esses, 300 sejam identificados e atuem com o Juntos! e com a luta do nosso coletivo por outro futuro em todo o país, mostrando a força de nossa construção na USP.

Vamos juntos construir um movimento estudantil de todos para virar a USP do avesso!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017