Universidade, maconha e polícia, da USP à UFSC

30/mar/2014, 20h06

* Gabriel Feltrin Batista

Terça-feira, dia 25/03, a história se repete…

Como esquecer do novembro de 2011, quando os estudantes da Universidade de São Paulo ocupavam a reitoria exigindo o fim da Policia Militar no campus e democracia nos espaços universitários?

Não muito diferente, desta vez o ocorrido foi na UFSC. Policiais Federais à paisana protagonizaram uma ação truculenta e estúpida ao deter um estudante por portar uma pequena quantidade de maconha, causando uma enorme revolta, por grande parte da comunidade acadêmica.

10173246_758855274127203_889534906_n Mas, ao contrario do que muitos podem estar pensando, a revolta que cuminou na ocupação da reitoria “não foi só por seis beck”, o intitulado movimento Levante do Bosque foi muito além do debate sobre a política de drogas.

A primeira pergunta que se deve fazer é: Você se sente seguro com a polícia militar?

Na nossa opinião, a mesma polícia que persegue, massacra e mata a juventude de periferia não deveria existir em nenhum lugar do mundo. A lógica da repressão é falida e se mostra, na prática, ser uma política segregacionista e defensora dos insteresses das elites. Se queremos uma universidade pública, popular e de qualidade temos que pensa-la de maneira acolhedora!
Defendemos que haja uma segurança universitária preparada e humanizada, que conheça a realidade da universidade e saiba dialogar com o conjunto da comunidade acadêmica sem se utilizar de artifícios herdados da ditadura militar. Aliás, pensar a segurança universitária é, também, pensar a estrutura da universidade. A iluminação é algo essencial! As mães devem ter o direito de estudar tranquilas com seus filhos seguros em creches universitárias. Negrxs, mulheres e LGBTs também devem ser afirmados dentro do espaço estudantil através de seminários, debates e programas de combate ao racismo, machismo e homofobia. Isso tudo, também, é segurança universitária!

A segunda pergunta é: A quem serve a atual política de drogas?

Em tempos de Amarildos, Cláudias e tantos outros, o debate sobre a criminalização da pobreza é inevitável. Talvez, para alguns, o racismo e o aprthaide social que vivemos esteja desconectado do debate das drogas, pra nós não!

A droga não é criminalizada atoa, muita gente ganha com isso. O tráfico ganha? Sim, é o que mais ganha com a proibição, pois vive desse mercado ilegal. A polícia ganha? Sim, são os segundos que mais ganham com a proibição, que é o que justifica milhões de gastos e milhares de mortos numa guerra fracassada, além de serem corrompidos pelo tráfico. O político canalha ganha? Sim, pois todo ano pode prometer que vai combater o tráfico, mesmo sendo, muitas vezes, financiado pelo próprio. O usuário ganha? Não. Acaba, por sua vez, estando sujeito a recorrer ao tráfico, tendo acesso a um produto sem controle ou garantia de qualidade nenhuma e paga, muitas vezes, preços injustos arriscando sua vida ao ter contato com o crime organizado. E as(os) trabalhadoras(res) pobres da comunidade, ganham? Não. O desastre da política proibicisnista, sob o lema de ‘guerra as drogas’, acaba legitimando a violência contra a periferia e propagando o racismo.

Nós, jovens indgnados, temos que lutar por uma outra política de drogas e por outro modelo de univesidade, mais inclusora, menos elitista e mais humanizada. Sabemos que as balas de borracha que estiveram presentes na confusão estabelecida pela polícia na UFSC não fazem parte do cotidiano das periferias. Lá, as balas, são de verdade!

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* Gabriel Feltrin Batista esteve presente na ocupação da reitoria da UFSC e é militante do Juntos! Pela Legalização

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