Brasil: país da Copa das Remoções

11/abr/2014, 13h57

por Nathalie Drumond, do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos

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Toda solidariedade aos moradores da Ocupação da Telerj!

Nessa manhã assistimos a mais um desocupação violenta na cidade do Rio de Janeiro. Assim como ocorreu recentemente com a Favela do Metrô Mangueira, hoje foi a favela da Telerj o alvo da brutalidade da polícia, com o aval da justiça e da prefeitura da cidade.

No dia 31 de março deste ano, cerca de 5 mil pessoas ocuparam o prédio da antiga Telerj no Engenho Novo. Atualmente o terreno e o prédio estavam sob posse da empresa de telecomunicações Oi. Há cerca de oito anos a construção estava abandonada e havia virado foco de usuários de drogas e de traficantes. Segundo relatos dos ocupantes, a dificuldade para pagamento dos aluguéis caríssimos na cidade fez com que estas milhares de pessoas optassem por ocupar o prédio abandonado. Muitos moradores reclamam que a prefeitura tem investido muito dinheiro nas obras para a Copa, em contrapartida a maioria da população sofre com o descaso absoluto do poder público. Os ocupantes portanto reivindicavam que o prédio abandonado pudesse se transformar em moradia popular. No entanto, a Oi entrou com o pedido de reintegração de posse, a justiça acatou e a prefeitura ordenou à polícia a desocupação.

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E como temos visto, a prefeitura do Rio de Janeiro, em parceira com o Governo do Estado, disponibiliza mundos e fundos à FIFA e aos empreendimentos da Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, a repressão é a única resposta das gestões de Eduardo Paes e Cabral/Pezão àqueles que não se calam diante das injustiças cometidas em nome dos megaeventos no Brasil.

A desocupação da Favela da Telerj ocorreu esta manhã debaixo de muita violência. As poucas cenas captadas pelos jornalistas, que estavam sendo coagidos e impedidos de acompanhar a ação, revelam a brutalidade utilizada pelas forças policias. Os ocupantes foram agredidos e retirados a força de suas casas. Contra aqueles que resistiram, inclusive crianças, a polícia utilizou bombas e balas.

Daqui a poucos meses terá início no país a Copa do Mundo. E antes mesmo da bola ser colocada em campo a população já percebeu que o evento trará mais prejuízos que benefícios aos brasileiros. Recentemente, a pesquisa do Datafolha revelou que 55% da população passou a concordar que a Copa não trará nenhum legado positivo. Há um ano o número era de 44%.

A crescente insatisfação com o mundial de futebol revela outra coisa também. O povo não aguenta mais. Por muito tempo no país, os partidos tradicionais e os governantes acreditaram que poderiam fazer da política uma carreira em função de interesses particulares. Assim como a política, a saúde, a educação, o futebol também tem sido privatizado. Em nome do lucro de banqueiros, de empreiteiras, de investidores internacionais e da classe dominante brasileira, a Copa do Mundo hoje é somente um grande negócio. Nada tem a ver com a paixão nacional. Por isso, o povo não aguenta mais ser deixado no banco de reservas quando se refere ao destino do país. As revoltas que eclodem recorrentemente em bairros populares, a insistente ação da juventude, a indignação das mulheres expressas nas redes e, principalmente, as inúmeras greves que têm ocorrido recentemente (garis de todo o país, metalúrgicos, operários da construção civil, rodoviários) revelam que o povo está disposto a lutar por seus direitos. Isso nos faz crer que este ano o evento que marcará a história de nosso país será a Copa das Manifestações. De nossa parte, onde houver luta estaremos Juntos!

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Toda solidariedade aos moradores da Favela da Telerj! 

Não às remoções!

E viva a Copa das Manifestações!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017