Indignados Fase 2: O nosso 15M!

30/abr/2014, 15h30

*Camila Souza e Fabiana Amorim

Na Copa das Confederações de 2013 o povo ganhou a cena ocupando as ruas aos milhões. No Carnaval de 2014 no Rio de Janeiro os garis contagiaram o país com sua grandiosa luta. Do futebol ao carnaval vamos redesenhando a história, fugindo do papel de meros espectadores, nos tornamos os protagonistas de vitoriosas batalhas.

É POSSÍVEL E NECESSÁRIO UNIFICAR AS LUTAS

A lição das jornadas de junho é que a luta muda a vida e os trabalhadores entenderam esse recado. Vários setores da classe atropelam as direções burocratizadas e pelegas dos sindicatos, constroem comissões representativas, vão às ruas enfrentam os patrões, sindicatos e governos e alcançam vitórias.

Os rodoviários, garis, policiais, metalúrgicos e servidores públicos demonstraram uma nova forma de se organizar, que não passou por dentro da velha burocracia sindical, mas sim por uma radicalização do povo que não mais aguenta as contradições do país da Copa.  A exemplo dos garis do RJ que estamparam em seus cartazes, “eles querem a Copa, nós queremos ir às compras”.

É inegável que tais lutas são sintomas de um novo tempo. A cada categoria que entra luta, contagia outra. Por isso que reafirmamos a necessidade de unidade da juventude e de toda a classe trabalhadora, para que possamos nos fortalecer e almejar maiores vitórias, juntos virar do avesso a política do país.

DEFENDER A HERANÇA DE JUNHO

O levante juvenil e popular que tomou as ruas em junho de 2013 evidenciou que há uma enorme insatisfação social com a realidade e com a política do nosso país. O descrédito da população com os partidos da ordem e com a velha forma política aumentou.

Ninguém mais acredita na política dos palácios, dos gabinetes, há um rechaço as velhas estruturas. As ruas se tornaram o espaço para construir, demarcar opiniões e alcançar vitórias.

A pressão dos milhões nas ruas tornou o “impossível” possível: a tarifa caiu. E com ela aprendemos que podemos alcançar vitórias quando lutamos juntos. E de lá para cá apenas começamos, ainda temos muito para construir.

MAIO DA INDIGNAÇÃO: CONSTRUIR O MOVIMENTO PELA BASE

Se na juventude há aqueles que são a expressão da defesa da Copa da FIFA, como o grupo da União da Juventude Socialista (UJS) direção majoritária da UNE, acreditamos que devemos ser a expressão da juventude conectada com as mobilizações sociais em curso.

Por isso para construir um maio que expresse as nossas reinvindicações e lutas acreditamos na radicalização da democracia. A partir de espaços abertos, horizontais e democráticos vamos construir nas escolas, bairros, moradias, cursinhos populares e universidades uma síntese das demandas locais com as lutas gerais e na construção de um dia nacional de indignação – o 15M vamos dar visibilidade e fortalecer as nossas lutas.

UM 15M PARA EXPULSAR A FIFA E CONSOLIDAR A OFENSIVA DA AGENDA DEMOCRÁTICA

Após junho, as respostas do governo não chegaram nem perto do que pediam as ruas. Muito pelo contrário, quanto mais se aproxima a Copa da FIFA, mais dinheiro se destina para obras superfaturadas e a resposta para aqueles que lutam é repressão e criminalização, tornando criminoso todo àquele que se opor à ordem.

O “legado da Copa” hoje são as milhares de remoções no entorno dos estádios, o lucro absurdo e a farra das multinacionais e empreiteiras, os cofres públicos saqueados para obras que pouco nos servem, os operários mortos na construção dos estádios, a militarização das cidades, a ingerência da FIFA, a Lei Geral da Copa e o atropelo à democracia, pincelando a verdadeira limpeza social que se tem feito no país, para vender uma realidade que está bem distante da nossa.

O povo que tornou a Copa das Confederações, a Copa das Manifestações, ensaia um novo capítulo, é por isso que chamamos todos trabalhadores, movimentos sociais e juventude para unificar as nossas indignações e construir um grande 15M. Vamos às ruas contra os gastos exorbitantes com a Copa, contra as leis de repressão e contra a ingerência da FIFA. E juntos ecoar pelas ruas do Brasil o nosso recado: FIFA GO HOME!

*Camila Souza, Diretora Executiva da UNE – campo da Oposição de Esquerda e Fabiana Amorim, Diretora na Oposição da UBES.