Juntos RS denuncia dois casos de transfobia em Porto Alegre

09/abr/2014, 23h32

*Por Lucas Maróstica

A homotransfobia acaba de causar mais uma vítima aqui em Porto Alegre. Mais um espancamento, mais uma travesti vitimada pelo ódio e a ignorância que atenta contra a liberdade de identidade de gênero. Esse é o segundo caso de violência física/simbólica contra as travestis acompanhados pelo Juntos ao longo dos últimos sete dias. O de maior gravidade ganhou as páginas do Diário Gaúcho de hoje. Nathalia Rios voltava de uma festa na madrugada de sábado, quando foi espancada e desfigurada na Zona Leste da Capital. Nenhum pertence foi levado. Hoje luta pela vida na UTI do HPS. Já entramos em contato com amigos da vítima para prestar toda solidariedade e colocar nossa militância a serviço desta denúncia.

Na mesma semana nossa combativa companheira Talita Sayeg, militante do Juntos-RS, que já foi vítima do tráfico internacional de pessoas, denunciando os aliciadores e sofrendo ameaças de morte, foi selecionada para um emprego em um posto de gasolina da Zona Norte da cidade, eis que depois dos exames médicos e da confirmação da vaga, recebe uma ligação dizendo que a vaga não estava mais a disposição. O que eles estavam querendo dizer é que a vaga não estava a disposição para uma travesti, pois a faixa de oferta da vaga segue até hoje presente no posto. Um claro caso de preconceito.

Não estamos diante de casos isolados, estamos diante de algo que tem se repetido nas ruas e nas vidas dos LGBTs no Brasil, em especial as travestis e transexuais. Em 2014 já estamos superando a infeliz marca de uma morte diária de LGBTs no Brasil. Quantas mortes poderiam ser evitadas se o Brasil tivesse políticas públicas voltadas para o combate a homofobia? Na presidência da república uma presidente que veta o kit anti-homofobia, no Senado, o conservadorismo que engaveta a PLC 122, e na Câmara, Bolsonaros e Felicianos que legitimam a violência diária que estamos sofrendo, através de seus discursos, e que se negam a aprovar o projeto de lei João Nery, que garante a retificação dos documentos em acordo com a identidade de gênero das pessoas. Não podemos mais aceitar as negociatas que rifam os direitos humanos em nosso país. Denunciaremos cada político e cada governo que assiste de braços cruzados os índices de homofobia no Brasil crescerem a cada dia.

Estaremos ao lado de Talita e Nathalia exigindo justiça!
Estaremos ao lado de cada LGBT vítima da violência!

Acima de tudo: ESTAREMOS LUTANDO PARA QUE ESSES CASOS NUNCA MAIS SE REPITAM!

Pela criminalização da homotransfobia!
Pela aprovação da Lei João Nery!

Lucas Maróstica, militante do Juntos RS e da setorial LGBT do Juntos