Nosso abril é de Luta: 18 anos de Eldorado dos Carajás

17/abr/2014, 15h45

*Pedro Fonteles de Lima

A história dos processos em luta pela libertação nacional é cheia de avanços e recuos, em muitos dos capítulos é pedagógico que nunca os deixemos cair no esquecimento, pois ainda são absolutamente atuais e necessitam da disposição e coragem da nossa geração para serem definitivamente derrotados. Um desses casos aconteceu a exatos 18 anos atrás.

No dia 17 de abril de 1996, no sul do Pará, 19 sem-terra foram barbaramente assassinados (laudos periciais comprovaram que ao menos 10 mortes foram execuções sumárias) e outras centenas sofreram graves mutilações pela Polícia Militar do Estado do Pará e a mando do seu então governador Almir Gabriel (PSDB) em decorrência de uma marcha de integrantes do MST para Belém. O ato dos sem-terra foi de bloquear a rodovia PA-150 para forçar a desapropriação da área da fazenda Macaxeira, de 35 mil hectares ocupada por 1500 família havia 11 dias. A resposta do governo foi um massacre sem tamanho que chocou o país e ficou conhecido como o “Massacre de Eldorado dos Carajás”

Dos 155 policiais militares que participaram da operação, apenas dois foram condenados: o coronel Pantoja e o major Oliveira.

Infelizmente este caso não foi uma exceção, pelo o contrario, a trajetória dos movimentos sociais campesinos no Brasil é marcada pelas mortes encomendadas pelas famigeradas balas do latifúndio, a impunidade no campo e subserviência na qual os governos que sempre estiveram na direção do país se relacionam com o agronegócio e com a presença das grandes multinacionais no campo.

Em 1999 tínhamos um completo descaso com a reforma agrária no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas passados mais de 10 anos de governo do PT o descaso e a ineficiência ao qual foi relegada a pauta da reforma agrária continua a mesma. Milhares de trabalhadores rurais tentam resistir a sanha do agronegócio e continuam sem suas terras e o direito a sua subsistência.

O latifúndio é parte da estrutura ainda atual do Brasil que mais nos remete ao nosso passado colonial e entreguista. Portanto deve ser liquidado.

O 17 de abril virou data símbolo da resistência dos movimentos sociais e da luta pela democratização da terra e contra a impunidade aos crimes do campo.

Essa é a nossa história. A história dos oprimidos que se indignam contra o que os poderosos tentam estabelecer como coisa natural.

Reforma Agrária urgente. O Nosso abril é de luta!

*Pedro é militantes do Juntos Pará e do Grupo de Trabalho Nacional.