O ABC das Greves – Lições da greve dos Garis

08/abr/2014, 16h12

*Daniel Rojas

Vivemos um ano com muitas mobilizações e greves em todo pais por mais direitos, mais democracia, melhores salários e condições dignas de trabalho. A luta dos Garis do ABC é um exemplo claro de como a organização dos trabalhadores é a único caminho para obtermos vitórias de todo um setor.

Ao longo da semana, a cada curva, cada esquina e cada poste estavam empilhados sacos e sacos de lixo e nas ruas, cresciam cada vez mais a quantidade de entulhos. Foi esse o reflexo dos dias de greve que paralisaram todas as empresas terceirizadas de serviços de coleta da região do ABC.

A greve que, mesmo com o abandono do Sindicato Sicemaco, seguiu com muita força 7 dias de luta, mostrou a todos os patrões e aos prefeitos que a categoria é fundamental para a cidade.

Nas duas primeiras assembleias, os patrões apresentaram propostas de reajuste de apenas 10%, longe dos 15,38% reivindicados pela categoria. Nada negociado a greve seguiu. Na terceira assembleia, os trabalhadores grevistas foram abandonados pelo Sindicato. A proposta dos patrões seguiram nos 10% e os trabalhadores decidiram continuar a greve sem o Sindicato.

Cicero Cleber Bezerra de Souza de 29 anos, trabalhador da empresa Sane ABC e Construban e um dos que encabeçavam a comissão de organização da greve descreve como foi importante os grevista, mesmo na ausência do sindicato Sicemaco, se organizarem e seguirem fortes na greve.

“[…] O mais importante, além de conseguir o reajuste, foi mostrar aos chefes e grevista que conseguimos oque queremos sem o Sindicato”.

No 8º dia de greve, já sem o sindicato, os trabalhadores se organizaram para fazer a quarta assembleia e um Ato até a prefeitura de São Bernardo que reuniu cerca de 600 trabalhadores. Com uma faixa amarela escrito Do Rio ao ABC a Greve dos Garis é Contagiosa os grevistas marcharam até a prefeitura com o objetivo de pressionar o prefeito.

Com toda a pressão popular que deu apoio à categoria, a pressão virtual com a campanha “apoio a greve dos garis” e a organização dos trabalhadores, a categoria conquistou estabilidade de seis meses, abonos dos dias em greve e o reajuste de 15% sendo 10% sobre o salario e os 5% restantes pagos anualmente como bônus.

DO RIO AO ABC, A GREVE DOS GARIS É CONTAGIOSA!

*Daniel Rojas estudante da Rede Emancipa e militante do Juntos SP